Os ministérios da Educação e do Planejamento mantiveram hoje a proposta que já haviam apresentado à Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), com um reajuste salarial que varia de 10,15% a 34,91% para todos os professores das universidades federais em todo o país. Segundo a diretoria da Andes, das 54 instituições federais de ensino superior do país, 14 estão em greve.

O secretário executivo adjunto do Ministério da Educação, Jairo Jorge, informou que a medida provisória com o reajuste ficará pronta até sexta-feira (20) e que ele será dado em folha suplementar paga no mês de setembro. “A média do aumento dos professores será de 18%. Todos terão aumento acima da inflação”, afirmou Jorge.

A presidente da Andes, Marina Barbosa Pinto, disse que a proposta será apresentada amanhã (18) pelo comando de greve às assembléias, que decidirão os rumos do movimento diante da decisão do governo de manter a proposta. “Até agora, a greve está mantida. Amanhã, se instala o comando para decidir que rumo o movimento tomará”.

Jairo Jorge explicou que a proposta do governo federal é de conceder reajuste para os 74 mil professores universitários em todo o país. Segundo ele, foram feitas 12 rodadas de negociações com os representantes da Andes, para se chegar à decisão de hoje. “A nossa proposta dialoga com as três reivindicações que o Sindicato Nacional dos Professores nos apresentou”, ressaltou o secretário.

O governo, segundo ele, tomou a decisão também de diminuir a diferença do aumento entre ativos e aposentados. “A proposta da Andes era isonomia, não é possível fazer isso agora, mas nós vamos construir um debate para que no ano de 2005 possamos trabalhar com esse cenário. A terceira proposta da Andes era pela extinção da Gratificação por Desempenho (GED). Nós decidimos suspender o caráter produtivista da GED e garantir para todos os ativos o recebimento de 140 pontos”, destacou.

De acordo com o secretário, a proposta inicial de gastos do governo com o aumento era de R$ 230 milhões, mas houve uma ampliação para R$ 370 milhões em 2004 e para R$ 532 milhões em 2005. “Não é possível mais, porque neste momento é o limite. O reajuste que estamos dando requalifica a relação do Estado com os professores e, mais uma vez, manifesta a disposição do governo Lula em fortalecer a universidade pública”, afirmou Jairo Jorge.

Quanto à greve dos servidores das universidades públicas, que já dura 55 dias, o secretário informou que o governo, até o final da semana, apresentará proposta que possa acabar com a paralisação. “Nós estamos muito próximos de um acordo. O que está sendo discutido neste momento é a questão financeira de 2005. O governo está fazendo os cálculos e acreditamos que poderemos encerrar essa greve até sexta-feira”, acrescentou.