Foi assinado, nesta quarta-feira, em Londrina, convênio entre o Iapar e o Fundo Paraná, no valor de R$ 400 mil, para implantação da primeira fase do Programa Paranaense de Bioenergia.

O Paraná é um dos estados pioneiros do país a criar o programa, que visa desenvolvimento de tecnologia de produção utilizando o álcool etílico no processo industrial, sob a responsabilidade do Tecpar. O programa prevê ainda a organização de um sistema sustentado de produção de oleaginosas, de modo a se obter maior eficiência econômica nas propriedades agrícolas familiares, coordenada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

"A ação da pesquisa é prioridade nesse momento para se dominar a tecnologia de produção do biocombustível e garantir a produção da matéria prima em uma agricultura familiar eficiente economicamente", explicou Richardson de Souza, engenheiro agrônomo da SEAB, responsável pela implantação do projeto.

Para essa primeira fase a ser executada no início de 2005, estão previstos a aquisição de sistema completo de prensa para a extração de óleos vegetais, desenvolvimento de pesquisas de novas espécies de oleaginosas, implantação de 25 unidades de pesquisa/observação de girassol (na safrinha fev. 2005) e estudos sobre a utilização da torta de girassol na alimentação animal. Nesse mesmo período, os técnicos vão analisar a viabilidade técnica e econômica da utilização do óleo de girassol em motores diesel.

O segundo momento do programa, esclareceu Richardson, tem por objetivo motivar as cooperativas estaduais e investidores, na instalação de unidades de produção de biocombustível no Paraná, utilizando a tecnologia do Tecpar com a garantia de fornecimento de matéria-prima.

Para o secretário Orlando Pessuti, o desenvolvimento de um programa como esse, que permite a substituição do óleo diesel, possibilitará um incremento das economias dos municípios. "Ele vai movimentar toda a cadeia do agronegócio, principalmente nas propriedades familiares", comentou Pessuti.

A SEAB, de forma integrada com a Emater e o Iapar, já iniciou os trabalhos para implantar as Unidades de Observação. ‘É importante salientar que, além de buscar o desenvolvimento de tecnologia de produção industrial, esse programa visa oferecer ao agricultor, não só mais uma alternativa de produção, mas principalmente um sistema integrado e sustentado de produção", lembrou o coordenador do programa. Segundo ele, isso será feito de maneira que permita um aproveitamento melhor da propriedade, através do planejamento de ações integradas (produção animal e vegetal), gerando novos empregos e melhorando a renda e a economia energética.

O projeto envolve aproximadamente 80 produtores parceiros nesse programa de pesquisa que vai definir os parâmetros tecnológicos de produção de oleaginosas no Estado e conta ainda com a participação da Embrapa-Soja e das Universidades Estaduais

Técnicos da Emater, da Seab, e do Iapar, responsáveis pela orientação técnica aos produtores parceiros já estão passando por treinamentos no Iapar, em Londrina. Eles se concentraram nas culturas de girassol e nabo forrageiro, as duas primeira oleaginosas que começam a ser pesquisadas no Paraná para a produção do biocombustível.

Programa Nacional

Na última segunda-feira, dia 6, Richardson de Souza esteve em Brasília, participando do lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, feito pelo presidente Lula, e que tem uma identificação muito grande com o que está sendo desenvolvido no Paraná. Através do evento, o Governo Federal autorizou oficialmente o uso comercial do novo combustível, obtido a partir de matérias primas como mamona, soja, girassol e dendê.

Com o biodiesel, o Brasil inicia um novo ciclo do setor de energia e reforça a promoção do uso de fontes renováveis. A entrada do novo combustível no mercado vai gerar uma expressiva economia para o país, reduzindo importações do diesel de petróleo, além de contribuir para preservar o meio ambiente e promover a inclusão social de milhares de agricultores brasileiros.