Com uma forte escolta policial que mobilizou pelo menos 50 agentes federais, 12 carros, 9 motos e 1 avião, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi levado ontem para o Rio, onde acompanhou o depoimento de seis testemunhas num processo em que é acusado de crimes financeiros. O deslocamento Paraná-Espírito Santo-Rio-Paraná custou aos cofres públicos R$ 50 mil só em combustível, segundo cálculos da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que calcula que o governo já gastou R$ 200 mil com as viagens de Beira-Mar desde 2001.

O diretor parlamentar da Fenapef, Edison Tesseli, calcula que Beira-Mar já viajou cerca de 20 mil km, a um custo de US$ 1,5 mil a hora de vôo, em 15 deslocamentos pelo País. ?Não incluí nos gastos a despesa com diárias de agentes, que está em torno de R$ 120.

Ontem, após duas horas e meia de audiência, os advogados do traficante pediram que os depoimentos marcados para hoje fossem adiados. O advogado Marco Aurélio Torres Santos alegou que não havia conseguido localizar as testemunhas de defesa que seriam ouvidas hoje. A juíza Simone Schreiber disse que Santos havia dispensado a intimação judicial e ficou ele próprio de chamar as testemunhas. ?Tive a idéia de marcar as audiências em dias consecutivos para reduzir os gastos com o deslocamento?, afirmou Simone. Santos tem dez dias para demonstrar à juíza que os depoimentos são ?relevantes para o processo?. Caberá à juíza decidir se Beira-Mar, que volta hoje para Catanduvas, será chamado para outra audiência no Rio.

Ontem, os seis policiais que atuaram na prisão do advogado do traficante, Paulo Roberto Cuzzuol, em 2004, quando ele tentava entrar no Paraguai com US$ 320 mil, foram ouvidos pela juíza Simone. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, Beira-Mar pôde acompanhar o depoimento na 5ª Vara Federal Criminal.

De acordo com a juíza, Beira-Mar se mostrou ?educado? e fez algumas observações durante os depoimentos. ?O intuito da presença dele é para que possa munir seus advogados de elementos para que possam inquirir as testemunhas.? O traficante está sendo acusado de lavagem de dinheiro, tentativa de evasão de divisas e associação para o tráfico, cujas penas vão de 8 anos a 26 anos de prisão.

Para que chegasse à Justiça Federal ao meio-dia, foi retirado às 8h50 da superintendência da PF em Vila Velha (ES). Seguiu até o aeroporto de Vitória num comboio de sete carros – três da Guarda Civil – e nove motocicletas. O trânsito foi interditado. No aeroporto, um vôo da Gol teve de atrasar o pouso.

No Rio, ele foi levado num furgão. Cinco carros da PF faziam o bloqueio para que outros veículos não ultrapassassem o veículo que conduzia o traficante. Agentes federais mantinham fuzis para fora das janelas.

O 10º andar da Justiça Federal foi interditado. Uma audiência coletiva da 1ª Vara Trabalhista foi cancelada e nem todos foram avisados a tempo. ?Tive de chegar com antecedência, enfrentei uma fila enorme por causa das revistas e ainda cancelaram?, reclamou o aposentado Nelson Coelho, de 59 anos.