O veneno de uma das cobras mais conhecidas do Brasil, a cascavel, poderá se transformar num analgésico tão potente quanto a morfina. O projeto que estudará o veneno, da Universidade Católica de Goiás (UCG), é um dos oito estudos que receberá recursos de uma parceria entre os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia. O objetivo é produzir até 2008 medicamentos a partir de matérias-primas encontradas na fauna e na flora brasileiras.

A coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas Biológicas da UCG, professora Marta Magalhães, diz que o projeto que irá usar o veneno da cascavel vai receber do governo R$ 1,5 milhão. Com esse valor, ela pretende estruturar o laboratório da universidade e pesquisar como uma fração do veneno poderá se transformar num analgésico local.

"A nossa intenção é purificar os componentes totais do veneno numa fração que tenha o poder analgésico. E no veneno da cascavel, a partir do trabalho de uma outra pesquisadora que faz parte do grupo, ela identificou o efeito analgésico e agora a gente vai tentar purificar essa fração para tentar produzir um fármaco", explica a professora.

Para o desenvolvimento de novos medicamentos será investido um total de R$ 6,9 milhões nos oito estudos. Os projetos foram escolhidos pelo governo pela chamada pública Seleção de Projetos Cooperativos entre Empresas e Instituições Científicas e Tecnológicas para o Desenvolvimento de Bioprodutos de Uso Terapêutico. Uma das exigências do edital é que as instituições tecnológicas se unissem a empresas no desenvolvimento dos projetos.