Governo federal recebe japoneses para discutir TV Digital

Depois dos europeus, que na quarta-feira passaram o dia em Brasília defendendo as vantagens de seu sistema de TV digital, hoje (2) foi a vez dos japoneses tentarem convencer o governo brasileiro a adotar o padrão tecnológico desenvolvido no Japão. As vantagens comerciais e econômicas oferecidas por eles, em reunião com ministros, no Palácio do Planalto, se assemelham às ofertadas pelos europeus, mas os japoneses continuam apresentando melhores condições técnicas, pelo menos na visão do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que ainda vê problemas na tecnologia européia.

Na semana que vem será a vez dos americanos, que se encontram na terça-feira com Costa e os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, da Fazenda, Antonio Palocci e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Costa disse que até a próxima sexta-feira estará tudo pronto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomar sua decisão. Mas admitiu que a escolha pode não sair até o dia 10 de fevereiro, data para a entrega oficial dos estudos, até porque na próxima semana o presidente estará em viagem pela África.

Ele defende, no entanto, que a decisão seja tomada ainda neste mês. "Não quer dizer que o presidente vai ter até o dia 10 para decidir. Uma variação de 15 ou 20 dias não faz diferença. Só não pode passar muito de fevereiro, senão você não tem prazo para poder colocar a TV digital em funcionamento este ano", afirmou.

Costa, que demonstra abertamente sua simpatia pelo padrão japonês, disse que saiu "muito satisfeito" da reunião. "Eles (japoneses) cumprem rigorosamente aquilo que o sistema brasileiro exige", afirmou, referindo-se à transmissão de imagens em alta definição, à portabilidade, à mobilidade e à interatividade.

A diferença entre os modelos europeu e japonês estaria, segundo Costa, na questão técnica. Ele fez questão de afirmar que o modelo japonês atende a todas as exigências brasileiras, usando apenas o espaço de 6 megahertz no canal de transmissão permitido pelo governo brasileiro. Segundo ele, os europeus precisariam de um canal extra para isso.

A comissária européia para a Sociedade da Informação e Mídia, Viviane Reding, havia dito, porém, que o padrão europeu já opera em 6 MHz em Taiwan. Costa, no entanto, disse que recebeu hoje uma informação, dando conta de que não é exatamente isso o que acontece lá.

Os japoneses ofereceram financiamentos que podem superar os 400 milhões de euros ofertados pelos europeus. O embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura, não citou valores de financiamentos, mas disse que os japoneses estão prontos para atender a demanda brasileira.

Além disso, os japoneses ofertaram a incorporação das inovações tecnológicas feitas no Brasil ao seu sistema da TV digital e garantiram a quebra de patentes com custo zero de royalties para a produção de aparelhos, além da presença de mais de um representante brasileiro no fórum decisório sobre as inovações tecnológicas do padrão japonês. Colocaram, ainda, à disposição do Brasil a tecnologia para produção dos aparelhos (set top boxes) que farão a conversão do sinal digital em analógico, para que os atuais televisores possam ser aproveitados.

Segundo Costa, mesmo que o Brasil adote o modelo japonês, a indústria brasileira poderá ter economia de escala, uma vez que 90% dos componentes desse aparelho conversor são os mesmos nos três padrões. Portanto, um aparelho produzido no Brasil com tecnologia japonesa poderia ser exportado para a Europa ou os EUA mudando apenas um chip.

Costa ressaltou, no entanto, que o primeiro mercado é o brasileiro. "Nós precisamos de pelo menos 60 milhões de conversores", observou. O representante do padrão japonês, Noryuki Shigeta, disse que o Japão tem "grandes expectativas" em relação à decisão do Brasil. Costa concluiu sua entrevista, com um "arigatô" (obrigado, em japonês).

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