O governo e os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entraram em acordo após 72 dias de greve. O anúncio foi feito na madrugada deste sábado ao final de uma reunião que durou mais de sete horas entre o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, representantes dos servidores do INSS e dos ministérios do Planejamento e da Previdência.

"O acordo representou uma proposta adequada para o governo e para os servidores", sintetizou Marinho. Segundo o ministro, os funcionários voltam ao trabalho na terça-feira (16), mas os postos só atenderão os segurados a partir da próxima quarta-feira (17).

O periodo de atendimento das agências será ampliado em duas horas. Os postos ficarão abertos durante três sábados seguidos, por cinco horas. "O objetivo é desafogar os processos e acelerar os atendimentos", justificou o ministro.

Em troca deste esforço extra, os trabalhadores não terão o ponto cortado. Ou seja, o salário referente ao mês de julho – retido durante a paralisação – será repassado integralmente aos funcionários do INSS.

O grupo também chegou a um consenso sobre as gratificações por desempenho. De acordo com Marinho, 60% dos R$ 140 milhões destinados para esta bonificação serão repassados como reajuste para os servidores na ativa. Já os outros 40% serão divididos entre ativos e aposentados.

Os representantes dos trabalhadores saíram satisfeitos da reunião. No entanto, a diretora da Federação Nacional dos Servidores em Previdência Social (Fenasps), Miraci Astum, ressalta que "esta não foi a melhor solução. Mas foi a decisão limite para o governo e para o movimento", ressaltou.

Todos os aspectos discutidos nesta reunião serão repassados na segunda-feira (15) para as assembléias estaduais em todo o país. Os servidores do INSS pediam reajuste de 18% e gratificação de desempenho igual para os trabalhadores na ativa e para os aposentados.