Mais relevante que a queda do prestígio do governo, a mais recente pesquisa do Instituto Sensus revela que Lula também está despencando.

Esta situação cadente não é irreversível, mas é preocupante. Isto porque, até aqui, as pesquisas vinham mostrando que o seu “staff”, ou seja, seus ministros e auxiliares de primeira linha, mantinha-se sob aplausos porque Lula comandava a “clack”. Ele, Lula, tinha sim prestígio. Em certa medida – não mais a desejada – ainda tem.

A equipe foi e é formada de ilustres desconhecidos que, sem Lula, nenhum aplauso receberiam, a menos que fizessem o milagre de, mal assumindo e expondo em “avant première” suas caras, lograssem grandes feitos num País tão carente de mudanças heróicas. Impossível! Inegável a simpatia, a retórica, o bom humor, a capacidade de comunicação e a inteligência do presidente, além de sua sensibilidade para com os problemas nacionais. Duvidosa a sua capacidade de equacioná-los, encontrando soluções adequadas tempestivamente.

Mas o tempo é irreversível. Ele vai passando e as desculpas, calcadas nos males herdados do governo anterior, vão sendo esquecidas. A opinião pública começa a acreditar que já transcorreu tempo suficiente, quase um ano, para que algo mude e se corrija. E aí ocorre o fenômeno da transferência. Não mais a transferência do prestígio de Lula para a sua equipe, mas o desprestígio desta para Lula.

Fosse este um governo do PT e só do PT e o partido presidencial partilharia com o presidente e sua equipe vitórias e fracassos. Mas é um governo híbrido, com uma composição esdrúxula que mistura esquerda com direita, centro oportunista e até facções religiosas. Assim, o PT consegue parcialmente indulgências; a equipe desconhecida vai descaracterizando-se como Judas a ser malhado e começa a sobrar para o próprio Lula.

Já se fala em demissão coletiva do ministério para deixar Lula livre para reformulá-lo. O episódio do turismo religioso por conta do dinheiro do povo que Benedita da Silva fez a Buenos Aires, com as bênçãos do Planalto, aguçaram os boatos dessa mudança. E algumas demissões que começam a ocorrer nos altos escalões governamentais, em geral tendo como razões escândalos, tornam a versão de uma mudança ministerial crível.

Mas existem dificuldades, se não empecilhos, para que o ministério seja mudado e, com isso, suste-se a queda de prestígio do governo que já atinge o próprio presidente. Acontece que Lula, o PT e mesmo os aliados não contam com uma segunda equipe suficientemente prestigiada pela opinião pública para inspirar confiança. Nem projetos e soluções factíveis para os problemas sociais ou planos que pelo menos signifiquem o atendimento, mesmo que parcial, das macropromessas feitas em campanha. Promessas do tamanho das necessidades e esperanças da nação.

Resta-nos esperar e torcer para que Lula se recupere e ajude a recuperar o prestígio emprestado à sua equipe, pois seria desastroso que, a menos de um ano de governo e ainda sem nenhum projeto ou ação concreta de nível nacional, fosse descendo a ladeira, alimentando uma oposição que, mesmo sendo fraca, pode tonificar-se com o fracasso do grupo que está no poder.

Enfim, resta torcer por Lula, sem perda de tempo, para que faça alguma coisa concreta e positiva, que vá além de sua simpatia e “jeitão” popular de comunicar-se com as massas. Estas já não mais se satisfazem com piadas, sorrisos e o estilo popular do presidente, que aliás contrasta com o comportamento autoritário e pretensioso da maioria de seus auxiliares.