O governo anuncia a criação de um gabinete de segurança ambiental, formado por representantes do Ministério do Meio Ambiente, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O principal objetivo é combater os crimes ambientais, inclusive casos de corrupção dentro de instituições públicas ligadas ao setor. Hoje, os integrantes da futura força-tarefa tiveram a primeira reunião oficial.

A idéia de criação do gabinete partiu da própria ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, há duas semanas. Marina discutiu o tema com o titular da Senasp, Luiz Eduardo Soares, que incluiu a PF e PRF. O grupo deverá ser diretamente ligado à ministra, que ainda esta semana deverá se reunir com os dirigentes de todas as instituições que irão compor o novo gabinete.

Esta é a primeira medida a ser anunciada pelo governo para combater o crime ambiental. Até agora apenas a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atuavam nesta área. A novidade é a inclusão da própria estrutura da Senasp e da Polícia Rodoviária Federal, que deverá trabalhar em ações nas rodovias, enquanto as operações de campo continuarão por conta da PF e do Ibama.

Hoje, existe apenas a coordenação de combate a crimes ambientais dentro da PF, que é ligada à Coordenação-Geral de Polícia Fazendária. Ela foi responsável por quase todas as grandes operações desenvolvidas no Pará, principalmente na proibição da extração ilegal de mogno. O setor, formado por delegados e agentes especializados na questão ambiental, atua inclusive em cooperação com a área de inteligência da PF.

No ano passado, por exemplo, o grupo de combate ao crime ambiental conseguiu identificar a cadeia de contrabandistas de mogno, chegando a nomes de cinco chefes das quadrilhas que, apesar de serem distintas, atuam utilizando os mesmos métodos de trabalho. O diagnóstico mostra que uma árvore de mogno pode valer um quilo de sal dentro da floresta, mas cada metro cúbico da madeira chega na Europa a US$ 850. Para a PF, o mecanismo de atuação dos grupos é semelhante ao do narcotráfico.