Os líderes da base aliada acertaram hoje, em reunião do Conselho Político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, montar uma ofensiva para tirar a CPI do apagão aéreo da agenda nacional. A idéia é evitar qualquer menção ao tema, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste sobre a instalação da CPI. "Tem que tirar este assunto da pauta", resumiu o vice-líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). "Precisamos é de uma solução para o problema dos controladores, e não de um conflito político, de um enfrentamento entre governo e oposição numa CPI", completou o petista.

A avaliação predominante na reunião foi de que os controladores "deram um tiro no próprio pé", quando decidiram se amotinar na última sexta-feira. Segundo um líder aliado, que usou esta expressão e prefere não se identificar, no que se refere a CPI os governistas entendem que, a despeito de todo o caos, o movimento dos controladores foi "fundamental e positivo" no sentido de evitar a abertura do inquérito. "Ficou claro para todo mundo que o problema são os controladores aéreos e que não é preciso CPI para concluir isto nem para apontar a solução", explicou o líder.

Os governistas estão convencidos de que o motim dos controladores pode ajudar a "esclarecer" a situação também para o STF, de modo a que o pleno do tribunal recuse o mandado de segurança obrigando o Congresso a criar a CPI. Eles se animaram com as declarações dadas ontem pelo ministro Celso de Mello, que apontara a quebra de dois princípios constitucionais pelos controladores: o da hierarquia e o da disciplina militar.

"Embalo do motim"

Diante deste cenário, a ordem, entre os governistas, é pegar o "embalo do motim", não só para enterrar a idéia da CPI como para tentar explicar o caos aéreo à opinião pública, fazendo a defesa do governo. Foi neste sentido que os líderes cobraram do presidente Lula que acione a Comunicação Social do governo para mostrar à sociedade que, desde o início, o problema foram os controladores e que o governo não cedeu aos amotinados. A idéia é poupar o presidente de ir à televisão para explicar a crise. Ele só usaria rede nacional no caso de agravamento do problema com uma nova paralisação nos feriados da Páscoa.