Líderes do governo deram sinais de que estão dispostos a instalar a CPI do Apagão Aéreo na Câmara. A idéia seria começar a investigação na Casa antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a criação da CPI. O objetivo seria desidratar uma possível CPI no Senado – na quinta, os senadores da oposição disseram já ter as 27 assinaturas necessárias para a abertura da comissão de inquérito.

Os governistas avaliam que, com a abertura da investigação na Câmara, a CPI do Senado seria redundante e os senadores poderiam decidir pela não instalação. A operação na Câmara foi conduzida pelo líder do governo na Casa, José Múcio Monteiro (PTB-PE), que telefonou para líderes da oposição em busca de um acordo para evitar a dupla investigação. O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), avisou ontem que o requerimento de abertura da CPI será entregue na próxima semana quando terá o apoio, disse, de mais de 30 senadores. Além dos 17 nomes do DEM e dos 13 do PSDB, o líder afirmou já ter mais 4 assinaturas.

Caso a CPI seja mesmo instalada na Câmara, a base governista ainda não se entendeu sobre a melhor forma de atuar. Enquanto o PT costura um acordo com a oposição para ficar com a relatoria e dar a presidência ao PSDB, que pediu a CPI, o PMDB tem outra estratégia. Como maior partido da Câmara, tem direito à presidência da comissão e não pretende abrir mão do cargo. ?Se houver CPI, vou reivindicar a presidência para o PMDB. A bancada tem direito. Se o PT quiser ser generoso, pode ceder a relatoria ao PSDB?, disse o líder da bancada peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN).