Paris (AE) – O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), afirmou hoje em Paris, onde está acompanhando uma delegação de 45 empresários para promover o Estado e buscar novos investimentos, estar convencido que a crise política brasileira se transformará "numa grande pizza", mesmo acreditando que não será possível chegar aos principais interessados no processo de corrupção do Congresso.
Essa é a pizza que o Requião concebe, não considerando fundamental que sejam 13, 18 ou 25 os parlamentares que possam ter seus mandatos cassados, pois, a seu ver, o grande esquema do liberalismo econômico é transformar o País num "Brasil mercado" e não num "Brasil Nação". Para Requião, "estamos deixando de ser cidadãos e pouco a pouco nos transformamos em consumidores". Isso explica a blindagem feita em torno do Ministério da Fazenda convencido que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai mudar a política econômica atual, pois está encantado com esse processo, com os elogios que recebe dos investidores e meios financeiros internacionais.
O governante paranaense acha que todos devem pagar por seus erros, como é o caso do ex-prefeito Paulo Maluf (PP), mas não acredita que tanto Lula como seu ex-ministro José Dirceu possam ter posto dinheiro no bolso, mas são responsáveis "por uma política infame de perpetuação no poder". Hoje, ele defende o PT como o partido que melhor identificou a necessidade de mudança, razão pela qual "não se pode condenar todo o partido pelos erros praticados por sua cúpula".
Segundo Requião , a ideologia tucana continua no poder. Ele fez piada sobre um padre exorcista que teria sido chamado pelo Planalto para exorcizar o espírito do ex- presidente FHC, que havia se apossado do presidente Luiz Inácio da Silva.
Requião aproveitou para atacar também os tucanos e o prefeito José Serra (PSDB), dizendo que o tucano poderá ser candidato a presidente com o apoio do Banco Itaú, garantindo que ele, Requião, jamais terá o apoio desse banco. Isso porque Serra interrompeu os contratos das contas públicas da Prefeitura com o Bradesco e decidiu entregá-las ao Itaú. No Paraná, Requião diz ter feito o contrário, pois interrompeu os contratos feitos com o Itaú pelo governador Jaime Lerner, seu antecessor, pretendendo entrega-los à Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil. Requião não deverá ter nenhum contato na França com o grupo Renault, empresa instalada no Paraná, mostrando-se muito crítico ao comportamento dessa empresa francesa: "A Renault não paga um tostão de imposto no Brasil". Roberto Requião completou que havia prometido não tocar no assunto Renault durante essa sua visita à França.
Candidato
Requião admitiu que poderá ser candidato a reeleição no Paraná, em 2006. No momento, seu interesse maior é fortalecer o PMDB, não como partido, mas sim como uma frente política , o que sempre foi, mesmo se o ex-governador Antony Garotinho no Rio e o governador Rigotto estejam em campanha. Segundo ele, antes de tudo é preciso que o PMDB possa ter um programa, cujo objetivo é caminhar para um "Brasil Nação", um processo que poderá se encerrar em fevereiro, e , só a partir deverá se preocupar com uma candidatura presidencial.
A seu ver, existe consenso no PMDB para que haja candidatura própria, mas a definição do nome deve ocorrer um pouco mais tarde. O PMDB deve continuar como frente para se opor a alguma coisa, como foi no passado, contra a ditadura. Agora, o PMDB deve se organizar como frente política para se opor ao "Brasil mercado" concluiu o governador.