Vágner Love atendeu ligação do Estado, semana passada, em Moscou. E, antes de iniciar a entrevista, contou que fazia ‘calor’ na capital russa – ’18 graus, comentou’.

Desde quando, para um brasileiro (principalmente um carioca como ele), 18 graus é temperatura elevada? A simples observação do ex-palmeirense é sinal da adaptação à Rússia, onde no inverno os termômetros chegam a marcar 20 ou 30 graus negativos.

O atacante está bem no país, para o qual se transferiu há quase três anos, após bom início de carreira profissional no Palmeiras. Já conquistou dois campeonatos nacionais e uma Copa da Uefa, entre outros títulos. É goleador e ídolo no CSKA, clube dos também brasileiros Jô, Daniel Carvalho, Ramón e Dudu Cearense.

Mas, apesar de ainda jovem (tem apenas 22 anos), falta algo na carreira. Algo como vestir a camisa de uma grande equipe da Europa Central.

A Rússia lhe paga bem, lhe dá boas condições de vida, apoio à família. Mas quase ninguém vê o Campeonato Russo. Seus gols, por isso, são praticamente inéditos no restante do mundo. Falta divulgação. Atletas com muito menos capacidade chegam a receber propostas de países mais importantes no futebol, como Espanha, Itália e Alemanha. ‘Pelo que eu saiba, não há nenhuma proposta para mim’, afirma Vágner.

Há exatamente uma semana o atacante fez um dos gols mais importantes da carreira: o gol da vitória da seleção brasileira sobre Gana (1 a 0), em amistoso na Suécia.

O lance foi exibido em toda a Europa e, sem dúvida, teve mais peso do que os vários gols feitos pelo CSKA. ‘Já disputei partidas da Copa dos Campeões, mas um gol pela seleção faz diferença, traz reconhecimento.

Seu contrato com o CSKA vai até 2008. Mas a expectativa por uma proposta da Itália ou da Espanha é grande. ‘Se acontecer de receber uma proposta, ficarei feliz. Se não houver proposta, continuo aqui mais um ano, feliz.

Vágner diz que se adaptou mais facilmente à Rússia do que imaginava, quando deixou o Palmeiras, em 2004. Hoje vive num apartamento com a mulher, o filho de oito meses, um amigo e a babá da criança.

‘Moscou é ótima cidade, saímos para passear, vamos a shoppings, restaurantes, andamos de kart, jogamos boliche’, conta. ‘E sempre nos encontramos com os outros brasileiros do CSKA.

Pela internet e por tevê a cabo, o jogador acompanha a luta de Romário em busca do milésimo gol. E acredita que, um dia, poderá chegar a essa marca. ‘Quem sabe? Nunca parei para contar meus gols, mas acho que já fiz uns 200.