Com fortes críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governo do PT, o PSDB confirmou ontem a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República e a aliança com o PFL. Estrela da convenção, Alckmin fez um discurso longo – de 55 minutos – e mais focado em seu programa de governo. Mas reservou os minutos finais para atacar seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Numa referência à denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre os envolvidos no escândalo do mensalão, provocou: "Onde está o chefe, o líder dos 40 ladrões?

Alckmin afirmou que o governo do PT "deixou o Brasil vermelho de vergonha" e que nunca houve no País "tanta desfaçatez e tanto banditismo em esferas tão altas da República". Fez questão, também, de marcar diferença entre petistas e tucanos. "Somos muito diferentes, por exemplo, dos nossos adversários que hoje estão atolados na lama moral que eles próprios criaram.

Já confirmado candidato do PSDB ao Planalto, Alckmin foi o último dos oito oradores que discursaram na convenção tucana, realizada no Expominas em Belo Horizonte. Falou para uma platéia esvaziada, que foi encolhendo ainda mais com o tom técnico e programático adotado pelo candidato. A fórmula causou desconforto até mesmo entre os principais líderes do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o pré-candidato ao governo de São Paulo, José Serra, e o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE). O modelo, porém, segundo justificaram interlocutores de Alckmin, atendeu a um pedido da cúpula tucana, preocupada com os críticas de que ele ainda não apresentara propostas. "O discurso foi longo, mas não foi dirigido a quem estava aqui. Alckmin falou para todo o País e, por isso, a linha adotada tinha de ser essa", explicou o coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PE).

Cinco minutos antes do discurso de Alckmin, Tasso anunciou o resultado da convenção, que registrou 384 votos em favor da candidatura de Alckmin e da coligação com o PFL. Dos 800 delegados do partido, 693 tinham direito a voto. O PSDB não divulgou total de votantes, optando assim por homologar o candidato quando sua indicação atingiu o quórum mínimo – 347.

Em resposta aos rumores de que estaria fazendo "corpo mole" na campanha de Alckmin, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anfitrião da festa, dirigiu seu discurso – de apenas quatro minutos – para enaltecer as qualidades do candidato, como a "seriedade, ética e honestidade". Serra também foi econômico nas palavras.

A surpresa da convenção ficou com a viúva do governador Mário Covas, padrinho político de Alckmin. Lila Covas aproveitou o microfone para passar um pito nos líderes do PSDB. Primeiro, comparou a esquerda do PT com a direita de Paulo Maluf (PP), a quem chamou de "horroroso". "Eles são iguais. Enganadores e ladrões." Em seguida, exigiu união dos tucanos. "A gente vive criticando um ao outro e isso é terrível", disse.

Numa demonstração de sintonia, o PFL compareceu com seus principais líderes, inclusive o governador paulista, Claudio Lembo – que recentemente entrou em choque com a cúpula tucana de São Paulo -, e o prefeito Gilberto Kassab. O único a discursar foi José Jorge (PE), companheiro de chapa de Alckmin. Saudado por Tasso, que desempenhou o papel de mestre de cerimônias, como "cabra-macho" e "cabra-da-peste", José Jorge seguiu a linha do ataque ao PT.

O PPS, que também será parceiro do PSDB na corrida presidencial, estava representado pelo deputado Francisco Gonçalves (MG). Ontem, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), acertou com Alckmin que o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), passará a integrar o conselho político da campanha e estará presente na reunião de quarta-feira.