O presidente interino do Partido dos Trabalhadores, Tarso Genro, questionou há pouco o fato de o ex-ministro-chefe da Casa Civil e deputado federal José Dirceu (PT-SP) ter dado ontem declarações "em nome da maioria, como se a representasse", do Campo Majoritário da legenda. "Agora, o Campo Majoritário vai ter que dizer à sociedade, a si mesmo, quem fala por ele", disse Genro, ao deixar há pouco a Assembléia Legislativa de São Paulo, onde se reuniu com deputados estaduais do partido. Genro sinalizou que não pretende mudar sua posição, de somente disputar a presidência da sigla, se Dirceu retirar a inscrição de seu nome da chapa do Campo Majoritário. Assim, ele deu indicações de que não aceitaria um acordo, em discussão entre membros da corrente petista, de que poderia aceitar a manutenção da chapa e disputar a eleição, contanto que Dirceu não fosse incluído no Diretório Nacional. "Isso tem que ser perguntado ao grupo dirigente do Campo Majoritário, os responsáveis pela formação e inscrição da chapa", desconversou. O presidente interino do PT opinou que ele tinha "absoluta razão" em seus posicionamentos, de haver necessidade do partido promover uma "ruptura dialogada, mas forte, com o sistema dirigente anterior, ou uma renovação conservadora", após Dirceu ter feito declarações em nome do Campo Majoritário. "Quando o ministro José Dirceu vem a público e fala em nome da maioria (do Campo Majoritário), como se a representasse, impondo restrições a uma candidatura nova, que seria a minha candidatura e coloca determinadas balizas políticas em relação ao Campo que ele representava, a divergência política de alto nível fica clara", analisou.

"Quando ele (Dirceu) fala pelo Campo Majoritário, isto mostra que a posição que defendo, de ruptura com a situação anterior e com o núcleo dirigente anterior, e a formação de um novo núcleo dirigente – que abarque evidentemente uma grande parte dos companheiros da Articulação, do grupo anterior – é correta. A disputa não é entre duas personalidades, mas entre dois projetos de governo para o partido", argumentou. Assembléia – No encontro mantido na Assembléia Legislativa, somente 11, dos 23 deputados estaduais do PT, compareceram à reunião com Genro. Ele minimizou, entretanto, tamanha ausência da bancada. "Foi uma reunião com a direção do partido e não com o candidato à presidência. Eu cheguei no horário marcado e os deputados estão atrasados", justificou. Participaram da reunião os parlamentares Renato Simões, José Zico Prado, Mário Reale, Vanderlei Siraque, Roberto Felício, Cândido Vaccarezza, Simão Pedro, Donisete Braga, Carlos Neder, Sebastião Arcanjo e Maria Lúcia Prandi, além do presidente do Diretório do PT em São Paulo, Paulo Frateschi, e do terceiro vice-presidente nacional do partido, Valter Pomar. "Foi uma reunião de debate político de nossa bancada, da situação do governo em escala nacional e de continuação da revitalização política do partido em direção ao nosso processo de eleição direta", resumiu Tarso Genro. Ele seguiu da Assembléia Legislativa para o Diretório Nacional do PT, onde vai se reunir ainda no final desta manhã com o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) e com os governadores petistas Wellington Dias (Piauí), Jorge Viana (Acre) e Zeca do PT (Mato Grosso do Sul).