O presidente do PT, José Genoino, afirmou ontem que não vai
renunciar ao posto, apesar da crise alimentada pela confirmação de que o
empresário Marcos Valério Fernandes de Souza avalizou uma operação de empréstimo
de R$ 2,4 milhões para a legenda e ainda pagou uma parcela do financiamento.
"Não existe essa hipótese de renúncia. Descarta isso", disse Genoino. O
empréstimo foi avalizado também por Genoino e pelo tesoureiro do PT, Delúbio
Soares.
Uma das preocupações de Genoino foi a de tentar explicar o
adiamento, de hoje para terça-feira, da reunião na qual a Executiva Nacional do
partido discutiria a crise política. De acordo com o presidente petista, não
haveria tempo para que dirigentes partidários de todos os cantos do País
viajassem às pressas para São Paulo em pleno domingo.
Além disso, Genoino
alegou que ele próprio precisaria de tranqüilidade para se preparar para o
programa de entrevista Roda Viva, da TV Cultura, que será transmitido ao vivo na
noite de amanhã. "Na reunião da Executiva nós vamos tratar da situação geral do
partido e dos últimos acontecimentos", afirmou o presidente do PT.
A
"esquerda" do partido e alguns petistas moderados, como os senadores Paulo Paim
(RS) e Cristovam Buarque (DF), pressionam a direção do PT a renunciar. Alegam
que é a única forma de afastar do partido a suspeita de envolvimento no
pagamento do "mensalão" a parlamentares da base aliada para que votassem nos
projetos do governo.
Paim criticou a tática usada pela cúpula petista,
que atribui a crise a uma "conspiração das elites". "Não tem essa história de
golpismo", observou. "Não dá para dar uma de avestruz e esperar a crise
acabar."
Apesar de Genoino descartar a hipótese de renúncia, sua situação
tem preocupado os petistas mais graduados, incluindo o próprio presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Na festa de São João realizada hoje na Granja do Torto,
Lula disse aos ministros presentes: "Estou com dó do Genoino. Ele não tem nada a
ver com essa gente." A tal gente a que Lula se referia eram Delúbio e o
secretário-geral do PT, Silvio Pereira.
Genoino assumiu a presidência do
PT em dezembro, antes da posse do presidente Lula. Ele substituiu o deputado
José Dirceu (PT-SP), escolhido por Lula para ser o chefe da Casa Civil. Foi uma
espécie de cargo de consolação para Genoino, que disputou o governo de São Paulo
e perdeu para Geraldo Alckmin, do PSDB.


