O ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino compareceu, nesta quinta-feira, a audiência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara como testemunha de defesa do ex-ministro-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), no processo por quebra de decoro parlamentar.

O ex-presidente do PT destacou que o convívio com José Dirceu durante o atual governo foi um período intenso, dedicado à "viabilização de um projeto de governo comprometido com a mudança e com a transformação do país, vivendo a contradição entre os nossos sonhos e objetivos e a realidade de realizar concretamente esse sonho".

Genoino disse conhecer o ex-ministro há 37 anos. Contou que teve com ele, ao longo desse tempo, "uma relação política respeitosa, franca e de um militante político que sempre batalhou por idéias, por causas e por objetivos, seja na organização do PT, seja como ministro-chefe da Casa Civil".

Sobre a suposta propina dada a parlamentares em troca de apoio ao governo, o chamado "mensalão", Genoino assegurou que "nunca o PT participou, discutiu ou ouviu falar de troca de apoio ao governo por vantagens financeiras".

Para Genoino, o PT contruiu uma maioria no Congresso com negociações democráticas e transparentes. Ele informou ao Conselho de Ética que esse "processo que o PT construiu" sempre foi marcado e dirigido por uma agenda e por um projeto político. "No primeiro ano, foi arrumar a casa, e, no segundo ano, foi iniciar o crescimento econômico sustentável, com estabilidade para produzir renda e geração e emprego."

O relator do Conselho de Ética, deputado Júlio Delgado (PPS-MG), perguntou a Genoino se ele tinha conhecimento das movimentações financeiras coordenadas pelo ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, bem como sobre o relacionamento de Delúbio com o ex-ministro José Dirceu.

Genoino respondeu que cada secretaria tinha a sua autonomia para atuar e que as movimentações financeiras do partido foram realizadas dentro dos padrões de lisura e transparência, sendo que nem todos os detalhes eram de conhecimento de todos.

Com relação à proximidade do PT com o governo Lula, Genoino disse que "o PT participou de negociações com vários ministros do governo, como no caso do transgênicos, e essas negociações eram de propostas de idéias e de posições políticas". "Nunca, nem é do meu conhecimento, que nessas negociações tenha havido qualquer troca de apoio ao governo por dinheiro. Havia, sim, discussão de espaço no governo."

Sobre as "11 visitas" que fez ao gabinete da Casa Civil, enumeradas pelo relator do Conselho de Ética, Genoino afirmou serem "normais". "Isso é algo legítimo, uma vez que o partido tem o presidente, a maioria no governo e o presidente da República.", disse. "Era um dever, e eu era cobrado para defender mais as reivindicações e a pauta do partido no Congresso."

Genoino também negou ter conhecimento ou mesmo ter visitado o Banco Rural, que registrou empréstimos ao PT, envolvendo dinheiro que teria sido repassado a parlamentares petistas a partir de contas do empresário Marcos Valério de Souza. "Nunca fui a essa agência e nem sequer telefonei para o Banco Rural e nem para o BMG", afirmou Genoino.