O diretor de fiscalização de produtos controlados do Exército, general José Rosalvo Leitão de Almeida, admitiu hoje que a fronteira de mais de 1.500 quilômetros entre o Brasil e nove países da América do Sul tornou-se um mercado aberto ao tráfico de armas. Ele sugeriu que o Brasil negocie um acordo de blindagem contra o tráfico de armas com Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Suriname e Guiana, onde o problema foi detectado. Almeida depôs hoje por mais de duas horas à CPI do Tráfico de Armas.

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"Do extremo Sul à Amazônia, nossa fronteira é realmente muito permeável", disse. Segundo o general, a fiscalização brasileira tem se intensificado na região, mas a solução global depende de um acordo diplomático para uma vigilância rigorosa nas zonas de fronteira.

Dados levantados pela CPI indicam que o crime organizado equipou um exército de soldados do tráfico de drogas com mais de 4 milhões de armas pesadas. A quase totalidade delas teria sido importada por cidades que fazem divisa com o Brasil, como Pedro Juan Cabalero, Ciudad del Leste, Capitan Bado, Rivera e Tabatinga. "Nesses lugares, a fronteira virou um supermercado aberto de armas", disse o presidente da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE).

Reimportação

Pedro Juan Cabalero, cidade paraguaia de 20 mil habitantes, na fronteira com o Mato Grosso, tem representantes comerciais dos principais fabricantes de armas do mundo. A CPI suspeita que armas exportadas para outros países estejam sendo reimportadas para o Brasil por lá e por outras cidades fronteiriças.

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Diante da gravidade da situação, o general concordou com a proposta de uma sessão secreta da CPI com representantes das Forças Armadas e da Inteligência do governo para discutir a situação real e um plano estratégico, a ser proposto aos países vizinhos, para encerrar comércio de armas na fronteira.