O baiano José de Souza Pinto, ou como prefere ser chamado, General Souza Pinto, tem 101 anos e é o mais velho candidato do País nessas eleições. "Velho não, idoso. Muita gente considera os idosos como sucata que não se aproveita mais, como um pote de barro que quebrou. Não é assim, temos muito a oferecer ainda", disse, interrompendo o interlocutor que o chamou de "candidato mais velho do Brasil". O general concorre a uma vaga de deputado federal pelo PAN da Bahia.

No dia 12 de dezembro, Souza Pinto completa 102 anos. Viúvo desde 1990 e pai de duas filhas que lhe deram quatro netos, mora sozinho num apartamento nos Barris, bairro de classe média no centro de Salvador. Nascido em 1904 e filho de fazendeiros de Livramento, interior do Estado, o general se diz desiludido com os rumos da política nacional, mas que ainda não perdeu a esperança de poder transformá-la. "Precisamos de um trabalho de conversão. Explicar aos colegas de Congresso, aqueles que são bons, que eles devem agir por conta própria, e não presos a suas chefias. O deputado não pode ser um senhor da lei, mas sim um delegado do povo", afirmou.

"Vi golpes de Estado serem impostos e depois a democracia ser restaurada sob remendos", diz o general. "Temos de votar em alguém, mantermos esperançosos. Eu não perdi a esperança. Quando eu vejo um ventre saliente, eu penso: `Ali tem gente e tenho de lutar para que essa criança que vem aí viva num Brasil melhor’", disse.

A idade avançada não atrapalha Souza Pinto, pelo menos quando se fala da vontade de mudança. Ele assegura estar pronto para ocupar uma vaga na Câmara dos Deputados. "Quero conquistar muita gente lá (em Brasília). Quero falar do sofrimento de muitos aqui dos pobrezinhos", disse. Alguns dos "pobrezinhos" a que se refere são funcionários da fazenda que passou a comandar depois de aposentar-se do Exército, em 1956, depois de 35 anos dedicados às Forças Armadas.

"Visitei a casa dos pais dos meus peões e vi como sofriam os velhinhos. Foi uma coisa horrível que me levou às lágrimas. Daí resolvi ajudá-los por conta", disse Souza Pinto, que só passou a se dedicar à política partidária depois que ficou viúvo.

O general filiou-se ao PAN em 1994 e foi candidato a deputado federal na ocasião. Não foi eleito. "Nunca passei necessidade na vida e depois que fiquei viúvo me entreguei ao partido. O que tinha de imóveis passei para minhas filhas", disse o candidato, que na declaração de bens apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia listou apenas um carro usado no valor de R$ 9 mil.