Os gastos do governo federal explodiram no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho, as despesas primárias totais (sem o pagamento de juros) do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) cresceram R$ 21,7 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado.

Por isso, o superávit primário do governo central nos seis primeiros meses do ano em que Lula tenta a reeleição ficou em 3 87% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,18% no mesmo período de 2005. O superávit é a economia feita para pagar os juros das dívidas.

O superávit no primeiro semestre deste ano foi reduzido em relação a 2005 porque as despesas cresceram mais que as receitas no período. Ou seja, para acomodar o aumento dos gastos, o governo foi obrigado a diminuir o tamanho da economia para pagar os juros. De janeiro a junho, as despesas cresceram 14%, enquanto as receitas aumentaram 11%.

Os números foram divulgados ontem pelo secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall. O próprio secretário admitiu que essa trajetória das despesas é incompatível com a meta de superávit primário de 4,25% do PIB fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para este ano.

"A tendência de o crescimento da despesa ser maior que o da receita não é coerente com a meta fixada", reconheceu. "Isso (o aumento maior da despesa) pode ocorrer durante algum tempo, mas não durante todo o tempo", acrescentou.

Kawall admitiu que o governo poderá ser obrigado a fazer "ajustes" nas despesas se o crescimento da receita não se comportar como o previsto. Mas negou que o governo já tenha definido um novo contingenciamento de verbas.

No primeiro semestre, as despesas do Tesouro totalizaram R$ 102 bilhões, ante R$ 89,4 bilhões no mesmo período de 2005 – o aumento foi de R$ 12,6 bilhões, ou 14,1%. A elevação foi muito superior ao crescimento nominal do PIB do período, estimado em 7 8%. As despesas com benefícios previdenciários até junho foram de R$ 74,2 bilhões, ante R$ 65,1 bilhões no ano passado – aumento de R$ 9,1 bilhões, ou 13,9%.