A renda auferida do trabalho de cada brasileiro nos primeiros 146 dias do ano (o prazo vai até 26 de maio) será apropriada pelas três esferas de governo – federal, estadual e municipal – na forma de impostos, tributos e contribuições que perfazem a mais voraz política tributária praticada no contexto mundial.
Os cálculos são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), revelados à imprensa por seu presidente, Gilberto Amaral. No ano passado os brasileiros trabalharam um dia a menos para o governo e, há dois anos, segundo enfatizou Amaral, a derrama centrifugava a remuneração referente a 140 dias de labor.
Na velocidade estonteante do bólido tributário, e a amostra transparente está no impostômetro mantido pela instituição na internet, pode-se presumir que lá pelo final da década os brasileiros terão ultrapassado, em muito, a barreira dos 150 dias anuais trabalhados, com a finalidade de satisfazer o apetite do Leão, metáfora estritamente adequada para etiquetar a comezaina da arrecadação dos governos.
Para o IBPT, o que mais contribui para drenar o bolso dos contribuintes são os constantes acréscimos dos valores lançados no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), no âmbito municipal, e os Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), no âmbito dos estados.
Por sua vez, o governo federal abocanha (a expressão é duma literalidade espantosa) enormes fatias do bolo das contribuições, mediante o Imposto de Renda, CPMF e Cofins, apenas para citar algumas das indecifráveis siglas da imensa relação de 62 tributos diferentes.
O verdadeiro assalto à economia popular fica ainda mais atordoante quando o trabalhador é informado que 40,01% de seus rendimentos, em 2007, serão apropriados pela União, estados e municípios, numa farra impiedosa auspiciada pelo garrote vil, pendente sobre a sociedade.
A realidade iníqua da rapinagem oficial que não poupa o mais humilde dos cidadãos, aquele que sobrevive com o salário mínimo, além da afronta sem precedentes, é o signo irreprochável de gestões insensíveis e perdulárias.


