O secretário estadual de Governo e Coordenação, Anthony Garotinho, voltou hoje (23 (AE) a atacar a juíza Denise Appolinária, da 76ª Zona Eleitoral de Campos (norte fluminense), afirmando que, se tiver de dar explicações à Justiça pelas críticas à magistrada, mostrará uma foto em que ela apareceria num ato político do PT dois dias antes da sentença que tornou ele e sua mulher, a governadora Rosinha Matheus, inelegíveis por três anos. Ao saber da decisão, Garotinho acusara a juíza de ser "simpatizante do PT".

O secretário também informou que só soube pela imprensa que a Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj) pretende interpelá-lo judicialmente pelas críticas à Denise, consideradas pela associação "agressão verbal muito violenta". "Se eu for (à Justiça), vou mostrar a foto dois dias antes do ato. Ela na Faculdade de Direito (de Campos), no palanque, ao lado de um militante histórico do PT, o que prova as relações próximas", disse Garotinho.

O secretário, que substituiu hoje a governadora Rosinha Matheus na inauguração da Delegacia Legal da Barra da Tijuca (zona oeste), alegando que a mulher estava febril, afirmou ainda que Denise "desviou a sentença" e que terá de provar suas declarações.

"A sentença, por exemplo, trata de um assunto que é o uso do programa social por parte do Estado, em tese para beneficiar um candidato (no caso, Geraldo Pudim (PMDB), apoiado pelo casal Garotinho). Depois, ela fala do Chaguismo (corrente dos anos 70, chefiada pelo governador Chagas Freitas, conhecida por suas práticas clientelistas) que introduziu no Rio uma cultura que vem se arrastando por anos. No meio do caminho, ela diz: ‘precisamos extirpar do Rio de Janeiro a cultura do rouba, mas faz’. Quem é que rouba, mas faz? Ela (Denise) vai ter de provar isso."

O secretário voltou a afirmar que não ofendeu a juíza, mas que continua discordando da sentença. Ele minimizou as críticas que fez à magistrada. "Dizer que ela é simpatizante do PT não é ofensa. Acho que minha reação foi moderada diante das ofensas que eu e Rosinha sofremos. Outras pessoas teriam uma reação violenta. Não ofendi ninguém e não vou recuar das minhas posições".

No dia 13 de maio, Denise Appolinária declarou o casal Garotinho inelegível até 2007 por abuso do poder econômico e político durante as eleições municipais do ano passado em Campos berço eleitoral dos dois. Na mesma sentença, ela cassou os direitos políticos de Pudim, derrotado no pleito, e do prefeito eleito, Carlos Alberto Campista (PDT), que terá de deixar o cargo.