Recife – O pré-candidato à presidência da República, Anthony Garotinho (PMDB), disse hoje, ao receber o título de cidadão pernambucano, na Assembléia Legislativa, no Recife, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era "covarde" e "hipócrita" por tentar se manter distante das denúncias contra o seu governo. "Eu poderia fazer como o Lula fez, dizer eu não sabia. Só que eu sou homem, não sou covarde", afirmou ao garantir que não procede nenhuma das supostas irregularidades na arrecadação de recursos para a sua pré-campanha, no Rio de Janeiro.

Ele fez sua defesa em entrevista e em discurso e garantiu que não desistirá da candidatura. "Não serão as ameaças dos bancos ou a chantagem das Organizações Globo que me farão desistir", disse. "Vou até o fim". Garotinho frisou que a decisão de devolver os R$ 650 mil arrecadados para sua pré-campanha se deve a uma questão puramente ética, já que – segundo ele – o processo foi regular, legal e colocado na Internet para a população acompanhar. E instigou o presidente Lula a fazer o mesmo.

"Eu queria que o Lula seguisse o meu exemplo e dissesse ‘meu filho (Lulinha), devolve aqueles R$ 10 milhões da Telemar que você não podia ter recebido’. Gostaria que ele ligasse para José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) e dissesse ‘Zé, devolve os milhões arrecadados para comprar deputados, fica chato esse negócio de ficar comprando deputado com dinheiro do governo". Para o ex-governador do Rio, "essas pessoas (o presidente, seu filho e José Dirceu) são hipócritas". "Eu não, comigo é sim, sim não, não. Sou transparente. Não sou ladrão".

Explicação

Garotinho explicou que o PMDB do Rio constituiu uma comissão de três pessoas para arrecadar recursos para a pré-campanha. Foram exigidos três requisitos: as doações deveriam ser feitas em cheque nominal depositados em conta específica para prestação de contas; as empresas doadoras deveriam apresentar certidão negativa da Receita Federal, Receita Estadual, da Previdência Social e do CNPJ e, por exigência do próprio Garotinho, todos os gastos deveriam ser colocados na Internet.

"Não há irregularidades, o que há é uma tentativa de me desmoralizar porque já sabem que nas pesquisas de bastidores já ultrapassei Geraldo Alckmin (candidato do PSDB à presidência da República), o que há é perseguição, uma preocupação grande das Organizações Globo, que defende o sistema financeiro contra o qual tenho me batido".

Segundo ele, a primeira denúncia foi a de que as firmas doadoras não existiam. "Elas não eram de fachada, eram firmas que abrem seus escritórios onde a carga tributária é menor e prestam serviços em outras cidades, então quando viram existiam, passaram a dizer que o dono de uma delas era assaltante", afirmou. "Foi demonstrado que a firma foi vendida a um rapaz honesto, daí vieram dizer que as firmas têm proprietários que têm outras firmas que trabalham no Governo. Elas trabalham honestamente, tudo isto é perseguição".

Em entrevista, Garotinho se esquivou de responder se haverá uma revisão dos contratos sem licitação feitos com empresas envolvidas nas doações pelo governo carioca, limitando-se a dizer "tudo está dentro da lei".

Pernambucano adotivo 

O título de cidadão pernambucano foi aprovado por unanimidade, no início do ano, antes das denúncias contra Garotinho. A proposta foi de autoria do deputado estadual Cleyton Collins (PSC) com apoio de outros dois evangélicos, Manoel Ferreira e Dilma Lins, ambos do PFL. De acordo com Collins, os serviços prestados por Garotinho na área religiosa, em constantes visitas ao Estado, motivaram a proposta.

Numa alusão ao presidente Lula, que nasceu no agreste pernambucano, Garotinho disse se sentir um "pernambucano adotivo" com o título. Observou que os filhos adotivos normalmente têm mais gratidão e compromisso que os filhos naturais. E prometeu lutar pelos pernambucanos – que lhe deram mais de 800 mil votos na última eleição presidencial – e pelo Nordeste. "De hoje em diante serei um soldado de Pernambuco".