Apesar das dúvidas jurídicas que cercam a consulta que o indicou candidato a presidente pelo PMDB no domingo, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho avalia que será o único peemedebista que vai se apresentar à convenção, em junho para ser sagrado postulante do partido ao cargo. "Não creio que haja ambiente (para outra candidatura)", avaliou. Disposto a manter o roteiro que estabeleceu inicialmente, ele reconheceu que os cerca de 500 delegados ao encontro estão equilibradamente divididos entre os defensores da candidatura própria e os adeptos do apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também minimizou a declaração do presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), que anunciara mais cedo que a decisão será mesmo da convenção, o que praticamente anula a votação de ontem, vencida por Garotinho.

"Mesmo que tivesse havido a prévia (uma votação com caráter deliberativo, vetada pela Justiça por liminar, o que levou a legenda a realizar apenas a consulta informal), o candidato teria que ser submetido à convenção, é o processo legal, não há como escapar dele", declarou o pré-candidato, na sede regional do PMDB, numa entrevista ao lado do senador Sérgio Cabral Filho (RJ) e do secretário-geral regional do PMDB, Carlos Alberto Muniz. Segundo Garotinho, mesmo não tendo valido para fazer diretamente a escolha, a consulta teve "valor político". "Foram 12 mil lideranças consultadas", afirmou, elogiando seu adversário na consulta, o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que hoje reconheceu a derrota e prometeu apoiá-lo.

Garotinho considerou "pouco provável" que a convenção não sacramente a sua candidatura. "Até lá, vamos trabalhar, crescer nas pesquisas", disse. Ele afirmou que o desejo de sua mulher, a governadora Rosinha Garotinho (PMDB), é concluir o mandato. "E isso me torna inelegível a qualquer outra coisa. Só posso ser candidato a presidente da República ou a vice. Como vice eu já havia descartado, só posso ser presidente." Ele afirmou considerar a ação da ala governista na Justiça para impedir que a prévia valesse um desrespeito aos militantes do PMDB, mas destacou que é "uma pessoa que não guarda ressentimentos". E, mesmo com o discurso otimista, reconheceu que enfrentará novas dificuldades.

"Não vai ser de flores, vai ser um caminho difícil", declarou. "Mas me recordo sempre de minha vida. Sempre foi assim sempre foram colocadas muitas pedras no meu caminho."