Brasília – O sub-relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas, deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), acusou o PSB de manter um esquema irregular para liberar emendas destinadas à inclusão digital no Ministério da Ciência e Tecnologia. "Tenho suspeitas de que o PSB participou desse processo. A maioria das emendas apresentadas para compra de ônibus para inclusão digital foi feita por deputados do PSB", disse Gabeira. E acrescentou: "Não quero dizer que todo deputado que apresetnou emenda para compra de ôniubus de inclusão digital seja culpado. Houve envolvimento do partido e tenho condições de demonstrar".

Segundo Gabeira, há vários indícios de que o Ministério "foi aparelhado pelo PSB para obter ganhos eleitorais e financeiros". Gabeira disse que fotografou ônibus escondidos em uma garagem da "Viação Elite", em Volta Rendonda, no Rio de Janeiro, com a inscrição "Brasil; um País de todos". Segundo ele, esses ônibus teriam sido comprados através de emendas apresentadas pelo ex-líder do PSB, deputado Paulo Baltazar, que seria o elo no Rio e que supostamente seria o responsável pela liberação de recursos para entidades assistenciais que não existem.

O sub-relator informou que as denúncias relativas ao Ministério da Ciência e Tecnologia devem ser tratadas numa segunda fase dos trabalhos da CPI, já que nesta primeira étapa estão sendo investigadas as participações de parlamentares na compra superfaturada de ambulâncias através de emendas ao orçamento. Gabeira disse que a comissão deverá investigar o possível envolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, começando com o depoimento do ex-secretário da Inclusão Digital Rodrigo Rollemberg e depois os ex-ministros da pasta. "Devemos começar ouvindo o Rollemberg para saber como foi o processo no Ministério, depois ouvir os ex-ministros, porque temos o interesse de proteger o programa de inclusão digital e levar isso a sério", disse.

O presidente da legenda, o ex-ministro Roberto Amaral, reagiu as declarações do sub-relator que acusou o PSB de montar esquema de desvio de recursos do Programa de Inclusão Digital. Após xingar Gabeira, Amaral questionou as acusações. "Fui ministro de 2003 à primeira semana de 2004. Não havia dotação orçamentária alguma para o Programa de Inclusão Digital. Também conversei com o Eduardo Campos (seu sucessor no Ministério) que disse não ter firmado convênios específicos, mas sim de forma geral", afirmou. Roberto Amaral disse que amanhã (8) vai estar em Brasília para conversar com o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), para saber se existe alguma coisa contra o PSB. Informou, também, que vai interpelar judicialmente o deputado Fernando Gabeira.