Fusão cria a terceira maior central de trabalhadores do País

Dirigentes sindicais lançaram nesta quinta-feira (24) as bases para a criação daquela que pretende ser a terceira maior central de trabalhadores do País, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), resultante da fusão da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), da Social Democracia Sindical (SDS) e da Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT). A consolidação da UGT acontecerá entre os dias 19 e 21 de julho, durante o Congresso de Fundação, a ser realizado no Anhembi, em São Paulo, quando também será criado o estatuto da nova central.

A fusão das três centrais, ao contar também com a participação de sindicatos independentes, resultará em uma entidade que responde por 8 milhões de trabalhadores na base, representados por cerca de mil sindicatos, atrás somente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical, respectivamente. A estimativa dos dirigentes da UGT é de obter receitas de R$ 10 milhões por ano, provenientes do imposto sindical.

"A UGT nasce com o objetivo de representar trabalhadores hoje excluídos, já que, historicamente, o movimento sindical sempre foi vinculado principalmente ao setor produtivo", explica o presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e que temporariamente comandará a UGT, até o Congresso, Ricardo Patah. "Queremos metalúrgicos e costureiras nas nossas fileiras, mas sem dúvida nossa força será maior entre prestadores de serviços, autônomos, comerciários e trabalhadores rurais, hoje esquecidos pelas centrais sindicais", declarou o sindicalista, candidato a se manter no cargo.

Os líderes da UGT pretendem também, com a fusão, se antecipar à nova regulamentação sindical para continuar a existir. O texto da reforma sindical, em tramitação no Congresso Nacional, estabelece uma série de critérios mínimos de representatividade para que sindicatos e centrais possam existir. "Nossa união de forças garante o preenchimento dos requisitos de representatividade estabelecidos pela reforma", assegurou Patah.

Ainda sobre essa reforma, os sindicalistas entendem que devem permanecer o sistema de unicidade sindical (um único sindicato representa cada categoria) e um modelo de arrecadação garantida, ainda que vinculado ao desempenho nas negociações salariais.

"Se a União tem o Imposto de Renda para se financiar e os Estados contam com o ICMS, por que o movimento sindical não pode ter também uma segurança de recursos para se manter e defender os direitos dos trabalhadores?", indagou.

Para ampliar a base de atuação, a UGT promete abrir suas portas às categorias que, na avaliação de Patah, são hoje cerceadas do direito de expressão e representação nas grandes centrais. "Se descobrirmos que sindicatos ilegítimos tentarão se formalizar por meio da UGT, barraremos o ingresso", ressalvou.

A nova central também garante ser "independente" do governo Lula. Apesar de entender que a imprensa foi "injusta" por criticar o movimento sindical pelos afagos concedidos à administração federal durante o último Dia do Trabalhador, já que "o governo concedeu aumento real do mínimo, reconheceu a existência das centrais e vetou a Emenda 3 da Super Receita", Patah diz que a UGT "não fará demagogia e criticará o governo quando for preciso".

"Não somos filiados a nenhum partido político e criticaremos o governo quando for preciso, em casos como o baixo crescimento econômico ou a falta de políticas de segurança pública e de preservação do meio ambiente", pontuou. "Mas também seremos demagogos e hipócritas, de criticar por criticar. Teremos liberdade para criticar o governo, mas em casos pertinentes", acrescentou.

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