Em plena reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), o conselho do banco se reuniu para discutir, entre outros tópicos, qual será o destino de Paul Wolfowitz, atual presidente da instituição. Ele é acusado de favorecer a namorada, e a Associação dos Funcionários do Banco Mundial pediu a sua demissão.

"Wolfowitz precisa reconhecer que sua conduta comprometeu a integridade e a eficiência do Banco Mundial e destruiu a confiança dos funcionários em sua liderança; ele precisa agir de forma honrada e pedir demissão", disse a presidente da associação, Alison Cave, ontem, à imprensa. A entrevista teve momentos constrangedores – Wolfowitz apareceu no local e foi recepcionado com gritos de "demita-se" de funcionários.

No centro do imbróglio está o salário milionário de Shaha Riza, a namorada de Wolfowitz. Shaha era funcionária do Banco Mundial e foi transferida para o Departamento de Estado dos EUA em setembro de 2005, pouco depois de Wolfowitz assumir a presidência do Bird. Nessa transição, ganhou um aumento salarial de US$ 61 mil (mais de 40%) – seu salário foi para US$ 193.590 líquidos por ano – e ela passou a ganhar mais do que a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice, que recebe US$ 183.500 brutos por ano.

Posteriormente, a namorada de Wolfowitz foi transferida para a Fundação para o Futuro, uma ONG financiada pelos Estados Unidos para "promover a democracia" no Oriente Médio. O Bird continuou a pagar o salário da namorada de Wolfowitz, que era conselheira de comunicações no Departamento de Oriente Médio do banco antes de ser transferida. Por ironia, a principal bandeira de Wolfowitz em sua gestão no Bird é o combate à corrupção e ao nepotismo nos países pobres.