O ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os últimos nove meses do mandato foi obrigatoriamente remendado com a desincompatibilização de oito titulares, que optaram por concorrer às eleições para os governos estaduais ou a cadeiras na Câmara e no Senado.

Em tais circunstâncias, nenhum administrador consegue sensibilizar quadros de prestígio nos meios políticos e intelectuais, tendo em vista que a única vantagem oferecida são os escassos meses em que a administração, sabe-se, ficará represada pela Copa do Mundo e pela campanha eleitoral.

Por recompensa tão efêmera, poucos se mostram dispostos a sacrificar-se em favor do serviço público desinteressado ou a dar contribuição patriótica, as batidas fórmulas sempre repetidas nessas ocasiões.

Destarte, o nome mais expressivo dentre os novos ministros é o do político gaúcho Tarso Genro, aliás, um personagem bastante conhecido, vez que participou da primeira fase do governo Lula à frente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e como ministro da Educação.

Com a derrocada da cúpula petista, Tarso assumiu a presidência interina do partido, mas sua proposta assaz avançada de refundação não foi aceita, e ele foi curtir seu chimarrão em Porto Alegre.

Agora vai suceder Jaques Wagner no estratégico Ministério das Relações Institucionais, encarregando-se da importante missão de estabilizar a coordenação política e reforçar a base partidária com vistas à reeleição. O novo ministro definiu sua responsabilidade como ?uma missão de Estado?.

Jaques Wagner, com quem o presidente insistiu até o último momento para que continuasse no governo, preferiu sair para disputar o governo da Bahia. O ministro Ciro Gomes, outro nome de prestígio no Planalto, vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSB, e José Alencar deixou o Ministério da Defesa para insistir na idéia da dobradinha com Lula.

Os demais ministros renunciantes são Alfredo Nascimento (Transportes), Saraiva Felipe (Saúde), Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário), Agnelo Queiroz (Esportes) e José Fritsch (Pesca). Eles trabalham para deixar na vaga os secretários-executivos, ou seja, homens de sua confiança.

Na última hora, o presidente tentava deslocar para a Defesa o ministro Waldir Pires, para contar, num setor fundamental como esse, com um respaldo de alta respeitabilidade.