Já se perdeu a conta dos entreveros entre sacoleiros e policiais no absurdo cenário da Ponte da Amizade, que liga as cidades fronteiriças de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. O tráfego incessante das formigas humanas que trazem mercadorias compradas no lado paraguaio transformou o referido local, desde muitos anos, num dos maiores focos do contrabando.

A Polícia Federal, atualmente a instituição pública às voltas com a agenda de trabalho mais diversificada do País, não enjeita tarefas. Tanto faz ocupar os luxuosos e argentários departamentos da Daslu, a loja mais cara do Brasil, atraída pelo indefectível odor da safadeza, ou interceptar o vaivém de miríades de serviçais do contrabando miúdo da fronteira, na maioria absoluta dos casos recrutados como cargueiros da muamba adquirida pelos verdadeiros operadores da ilegalidade.

Tal realidade é de domínio público, tanto que a Polícia Federal atribui aos sacoleiros a nomenclatura de laranjas, reconhecendo que a origem do problema não está nas pessoas que ousam oferecer-se por paga infame como canal do crime.

Situação degradante não apenas por reduzir seres humanos à abjeta condição de párias sociais, mas também porque não será eliminada com ações cosméticas e epidérmicas. Extirpar o contrabando exige medidas fortes e destrutivas, mas só para os mentores e beneficiários da lucrativa transgressão.