A direção mundial da Ford nomeou o brasileiro Marcos de Oliveira para a presidência da companhia no País e no Mercosul a partir de 1º de dezembro. O atual presidente, Barry Engle, no cargo há um ano e dois meses, foi chamado às pressas para compor o grupo que administra a maior crise da empresa nos Estados Unidos.

A operação brasileira também passou por crise profunda, mas conseguiu recuperar-se e hoje é uma das poucas filiais do grupo a operar com lucro.

Em nota, a montadora informou que Engle contribuiu com a operação da Ford na América do Sul, tendo trabalhado no Brasil em duas ocasiões. Entre 2001 e 2003, período em que a companhia começou o processo de recuperação, ele era diretor de vendas e marketing ao lado de Antonio Maciel Neto, presidente que Engle sucedeu em setembro do ano passado.

"Sua experiência e liderança serão relevantes no plano de reestruturação da Ford na América do Norte", diz a nota. Engle se reportará a Mark Fields, presidente da Ford nas Américas e encarregado de conduzir o plano que prevê fechamento de fábricas e demissão de 40 mil trabalhadores até 2008.

Marcos de Oliveira iniciou sua carreira na Visteon Brasil, fabricante de autopeças que no passado pertenceu à Ford. Depois, chefiou as operações da Ford na África do Sul e no México. Atualmente é diretor-executivo na área de desenvolvimento de produto nos EUA.

No Brasil, a empresa não soube dar alguns detalhes sobre Oliveira, como sua idade e a cidade onde nasceu, nem há quanto tempo está fora do País, demonstrando que o anúncio pegou de surpresa a filial brasileira. Oliveira se reportará a Dominic DiMarco, diretor-executivo para Canadá e América do Sul.

A Ford teve prejuízo mundial de US$ 5,8 bilhões no terceiro trimestre. No ano, acumula perdas de US$ 7,2 bilhões, ante lucro de US$ 2 bilhões no período de janeiro a setembro de 2005. O grupo teve prejuízos nos EUA, na Europa, África e Ásia/Pacífico. A única região em que ganhou dinheiro no período foi na América do Sul, onde o Brasil participa com quase 70% das vendas.