São Paulo (AE) – Uma força-tarefa de procuradores da República e auditores fiscais vai começar a trabalhar a partir da semana que vem na apuração do suposto esquema de fraude fiscal que envolve a Daslu, templo do consumo de luxo em São Paulo. Trata-se de uma necessidade, dada a quantidade de documentos apreendidos pela Operação Narciso, em julho, que ainda precisam ser averiguados.

Da força-tarefa vão participar o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, que já apurava o caso, e outros procuradores. Eles vão contar com a ajuda de auditores da Receita Federal. Promotores do Ministério Público Estadual (MPE) que investigam a suposta sonegação de tributos estaduais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), também devem se unir ao grupo, além de procuradores que trabalham com crimes contra o sistema financeiro.

Na semana que vem, o grupo vai fazer a primeira reunião de trabalho para a divisão de tarefas e troca de informações. "Existem centenas de quilos de documentos que precisam ser analisados", disse Magnani.

Entre eles estão notas fiscais que mostram que mercadorias eram compradas no exterior e exportadas por empresas laranjas para o Brasil por preço bem abaixo do custo do produto. Quem os comprava aqui eram importadoras que praticamente só revendiam mercadorias para a Daslu. Faziam isso também com prejuízo. Assim, segundo a acusação, o objetivo da importadora não era ter lucro, mas sonegar impostos em cascata. Primeiro, o de importação, depois o de produtos industrializados e, por fim, o de circulação de mercadorias.

Todos os documentos foram apreendidos pela Operação Narciso, feita pela Polícia Federal a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Durante a operação, foram presos dois sócios da Daslu e o dono de uma das empresas de importação usadas pela loja – segundo a denúncia – como laranjas. Todos os envolvidos negaram as acusações e logo foram postos em liberdade.