Fora do quadro de arbitragem, Edílson Pereira de Carvalho lança livro

Depois de muito mistério, o livro do ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho, Cartão Vermelho, foi lançado nesta quinta-feira na Bienal do Livro e, apesar de a Editora Mundo Editorial ter tomado precauções e buscado parecer jurídico antes da sua publicação para evitar ações judiciais, o conteúdo tem sua força.

Não tanto pelos detalhes do escândalo no qual se envolveu e que resultou na anulação de 11 jogos do Campeonato Brasileiro do ano passado, mas por não poupar rancor ao falar dos desafetos – em especial o ex-presidente da comissão de árbitros da CBF, Armando Marques – e da politicagem nos bastidores da arbitragem.

Edilson não apareceu na Bienal para divulgação do seu livro. Teme ser hostilizado em lugares públicos. "Estamos estudando uma forma de garantir a segurança do Edilson e, assim organizar uma entrevista coletiva sobre o livro, talvez até uma sessão de autógrafos", disse a sócia proprietária da Mundo Editorial, Haydeê Perez. Segundo ela, a curiosidade das pessoas pela publicação foi grande no primeiro dia, mas admitiu que um visitante não poupou palavras de baixo calão ao ver o pôster de divulgação com a imagem do árbitro na capa do livro.

Haydeê disse que até o final da tarde desta quinta, seis dos três mil exemplares impressos haviam sido vendidos, mas esperava que no fim de semana, quando o fluxo de consumidores é maior que o de revendedores, essa marca aumentasse. "Na Bienal o objetivo principal não é tanto vender exemplares, mas fazer contatos, e quanto a isso estamos satisfeitos pois várias distribuidoras entraram em contato interessadas em distribuir nosso livro." Sobre as precauções tomadas antes da publicação do livro, ela é enfática. "Só publicamos as coisas que podíamos provar."

No livro, Edilson dá sua versão dos fatos e afirma que, apesar de ter recebido dinheiro de Nagib Fayad para manipular o resultado de várias partidas do Campeonato Brasileiro – por estar em uma situação financeira deplorável -, e que nunca agiu de fato para que isso acontecesse. Antes disso, porém, ele conta sua trajetória na arbitragem, onde relata dificuldades que passou por causa da briga de interesses envolvendo árbitros e dirigentes. E deixa claro que progride mais rápido quem se submete aos interesses dos que comandam a arbitragem. No fim, Edilson mostra arrependimento e pede desculpas à sociedade pelo erro que cometeu. 

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