Preservação da biodiversidade e adoção de projetos de sustentabilidade na exploração dos recursos naturais serão as palavras de ordem em Curitiba até o final do mês. Começa hoje, no Memorial da Cidade, a 3.ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3), evento supervisionado pela Organização das Nações Unidas (ONU) até o dia 17.

É a primeira vez que a reunião tem lugar no Brasil, tendo a decisão sido oficializada há dois anos na cidade de Kuala Lumpur, Malásia, onde houve o segundo encontro. Entre os dias 20 e 31 será a vez da 8.a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8), jornada em que seis mil representantes de 188 delegações internacionais estarão em Curitiba, em 300 eventos paralelos, para debater com profundidade uma temática abrangente.

A delegação brasileira será chefiada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, personalidade reconhecida nos meios ligados à exploração conseqüente da biodiversidade mediante projetos de comprovada sustentabilidade.

Marina tornou-se legítima herdeira da luta moral do seringueiro Chico Mendes, assassinado no Acre por grileiros que ameaçavam a sobrevivência dos povos da floresta. Reeleita senadora pelo PT acriano, Marina foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para gerir as políticas públicas direcionadas à preservação de um patrimônio natural cada vez mais devastado pela rapina humana.

Detentor da maior biodiversidade planetária, o Brasil guarda em seu território biomas extraordinários como a Amazônia, Pantanal, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Campos Sulinos (pampas), embora só recentemente tenha tomado medidas sérias e objetivas para a salvaguarda dessa riqueza perecível.

Exemplo recente é a lei em defesa da floresta nativa, pela qual o governo vai alugar áreas para a exploração racional da madeira por tempo determinado e segundo normas rigorosas de manejo e recomposição. Além de preservar o equilíbrio ecológico, o dispositivo legal cerceará a ação da grilagem e a expulsão dos pequenos agricultores e extrativistas.

O Protocolo de Cartagena resultou da Rio-92 para servir como documento normativo de ações públicas e privadas em biossegurança e preservação ambiental. Os dois eventos da ONU tornam Curitiba o foco mundial da discussão em torno da manutenção da vida.