A crise no Real Madrid atingiu seu ponto mais alto. Após quase seis anos na direção do clube, o presidente Florentino Pérez renunciou ao cargo nesta segunda-feira. Em entrevista coletiva na sala de reuniões do clube, o dirigente afirmou que sua atitude é irrevogável e apresentou alguns dos motivos que o fizeram deixar o clube. "Acredito que alguns jogadores não mereçam vestir a camisa do Real Madrid. E como fui eu que contratei esses jogadores, a culpa é minha."

Florentino Pérez, que completa 59 anos no dia 8, não revelou a que jogadores se referia, mas foi sua responsabilidade a contratação de vária estrelas como Figo, Zidane, Beckham e Ronaldo. Destes, apenas o português não está mais no clube e atua pela Inter, de Milão.

"Não gostei nada das declarações dos últimos dias", disse Florentino. Há uma semana, Ronaldo reclamou de falta de carinho por parte da torcida do Real, disse que não se sentia em casa, não descartando a possibilidade de transferência para outro clube. Raúl, o maior ídolo da torcida, rebateu as críticas do brasileiro e o ambiente entre os jogadores ficou conturbado.

"Sou torcedor do Real desde pequeno e acredito que essa minha decisão é um gesto de lealdade aos sócios e aos torcedores do clube", disse Florentino, para quem a derrota de domingo para o Mallorca, por 2 a 1, de virada, foi a gota d’água. "O clube não vai por um bom caminho e necessita de uma mudança radical. Após pensar muito, cheguei à conclusão de que minha saída é a melhor solução."

Após um início de gestão arrasador, quando ganhou, entre outros títulos, o bicampeonato espanhol, a Liga dos Campeões da Europa e o Mundial de Clubes, Florentino conviveu os dois últimos anos com sucessivos fracassos.

Em 2005, apostou em uma base brasileira. Contratou o técnico Vanderlei Luxemburgo, travou uma grande briga com o Santos para levar Robinho, o maior nome do futebol brasileiro na época, e ainda foi buscar Júlio Baptista no Sevilla. Mas o time não deslanchou. Pelo contrário. Faz uma campanha irregular no Espanhol. Ocupa o terceiro lugar, com 48 pontos, dez atrás do líder e rival Barcelona.

Ao assumir o Real, Florentino, formado em Engenharia pela Universidade Politécnica de Madri, vendeu uma propriedade do clube no centro da capital espanhola e pagou as dívidas. Com as contratações de grandes astros, o dirigente transformou o Real Madrid no clube mais rico do mundo, superando este ano o inglês Manchester United, com um faturamento de 276 milhões de euros, segundo levantamento da empresa Deloitte.

Fernando Martín Álvarez, conselheiro do clube e braço-direito de Florentino, assume o cargo até junho de 2008. Considerado um dos maiores proprietários de terrenos da Espanha, ele criou em 1991 o grupo imobiliário Martinsa. Também possui ações em empresas multinacionais, como Telefonica, e em bancos, como Santander e Bilbao-Viscaya.