Encontrei em Miami Beach (para onde fui dar uma refrescada), há uns 15 dias, uma linda mulher que é apresentadora de televisão. Perguntei se ela iria passar o carnaval na Flórida: “Nem pensar. Não perco o carnaval do Rio de maneira alguma. Vou à feijoada do Amaral e desfilarei em três escolas de samba”. Perguntei quais eram, mas ela foi evasiva: “Não vou revelar porque tenho uma preferida e não quero que ninguém saiba. Naturalmente, vão achar que a que eu citar é ela. E aí as outras duas poderiam ficar com ciúmes”.

Até hoje não entendi esse barato de desfilar em mais de uma escola. Sempre achei que era uma opção, um amor declarado, por uma única escola de samba. Algo como torcer para um time de futebol. Quando mudei para o Rio, há algumas décadas, no primeiro desfile a que assisti, me encantei com a Mangueira e permaneço fiel até hoje, embora há alguns anos não vá ao Sambódromo.

Em homenagem a ela, até pensei em inventar uma salada com suas cores rosa e verde. Seria fácil: fatias de um bom presunto cozido ou de um rosbife (cor-de-rosa) e alface. Mas seria uma saladinha muito fraca para uma escola tão forte. Mas foi a partir desses dois ingredientes que me lembrei de uma outra salada, muito popular nos anos 60 e que ainda freqüenta cardápios de lugares pouco novidadeiros, a chef’s salad.

Estou dando esse nome em inglês não é por frescura. Acontece que ela é uma salada americana: sua criação é atribuída ao chef Luis Diat do Ritz Carlton de Nova York, nos anos 40. A receita original era com agrião, ovo cozido cortado ao meio, língua defumada, presunto e peito de frango e mais alguns vegetais. Sua evolução deu nessa receita de hoje, porém, mantendo sua característica de ser um prato único. E, por isso, pensei que poderia ser interessante para o carnaval. Até porque a preparação, tanto das verduras e dos legumes quanto a do molho, pode ser feita com antecedência e a mistura final, só na hora de comer. E é ótima para a ressaca.

As outras duas receitas não são carnavalescas. Nunca vi pescadinha desfilando. Nem a geléia picante de tomate. É verdade que já vi um alemão gordo, seminu, que deve ter errado na dosagem de sol, numa ala só com índios, mais vermelhos do que ele. E o purê de batata com abobrinha e tomilho é mais do que um acompanhamento para a pescadinha. Tem mil e uma utilidades.

Filé de pescadinha com geléia picante de tomate

Ingredientes: 400 gramas de tomates maduros; 1 cebola pequena; 4 colheres (de sopa) de uma boa geléia de maçã; 1 colher (de sopa) de salsinha e 1 de cebolinha, picadas; 3 colheres (de sopa) de vinagre de maçã; 1 colher (de chá) de pimenta vermelha picada bem fina; sal e pimenta-do-reino que bastem; 4 a 8 filés de pescadinha (dependendo do tamanho); farinha de trigo que baste; 1 colher (de sopa) de óleo de milho e outra de manteiga sem sal.

1 – Para pelar os tomates, com uma faca afiada corte um X na ponta; mergulhe por 15 segundos numa panela com água fervendo, retire com uma escumadeira e mergulhe numa vasilha com água gelada para interromper o cozimento. Retire a pele puxando com uma faquinha. Corte em quatro partes, elimine as sementes e pique bem. Pique a cebola em pedacinhos bem pequenos.

2 – Numa panela, de preferência de aço ou esmaltada, ponha tomate e cebola picados, geléia, vinagre, salsa e cebolinha, pimenta vermelha e sal. Leve a fogo baixo e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando, por cerca de meia hora. Deixe esfriar e coloque em vidro com tampa. Conserve na geladeira.

3 – Pescadinha: tempere os filés de pescadinha com sal e pimenta-do-reino branca. Passe na farinha de trigo, bata suavemente para cair o excesso de farinha. Leve ao fogo uma frigideira grande. Coloque óleo e manteiga e deixe esquentar em fogo baixo. Quando for fritar os filés de peixe, aumente um pouco o fogo. Depois de aproximadamente quatro minutos de cozimento, vire para dourar dos dois lados. Retire e coloque papel absorvente.

4 – Sirva os filés com duas colheres da geléia de tomate (em temperatura ambiente) colocadas sobre eles e o acompanhamento desejado. Se estiver usando dois filés pequenos por pessoa, ponha uma colher de geléia em cada um.

Nota: Esta geléia de tomate poderá ser feita em maior quantidade e conservada tampada na geladeira por até três semanas.

Rendimento: 4 pessoas

Purê de batata, abobrinha e tomilho

Ingredientes: 600 a 700 gramas de abobrinha de tamanho médio; 500 gramas de batatas de tamanho médio; 2 colheres (de chá) de tomilho fresco, picado fino; 3 colheres (de sopa) de manteiga sem sal.

1 – Coloque as batatas numa panela com água fria e sal, com a água cobrindo mais uns cinco centímetros. Leve a ferver, diminua o fogo, cubra a panela e deixe cozinhando até amaciar, por cerca de 30 a 35 minutos. Retire as batatas da panela com uma escumadeira e reserve a água do cozimento. Quando elas tiverem esfriado um pouco e der para segurá-las, descasque, corte em quatro a seis pedaços, e coloque numa vasilha. Junte tomilho, manteiga, sal e pimenta-do-reino e misture bem. Passe tudo por um espremedor de batatas e reserve no quente.

2 – Corte as abobrinhas em rodelas de aproximadamente dois centímetros de espessura. Reaqueça a água do cozimento das batatas e cozinhe as rodelas de abobrinha cerca de oito a dez minutos (até que fiquem bem macias). Escorra e pique grosseiramente e junte ao purê, misturando bem. Prove e corrija sal e pimenta.

Nota: Este purê poderá ser feito até de véspera: deixe esfriar completamente antes de pôr na geladeira, coberto. Esquente novamente na hora de servir. Se estiver evitando comer manteiga, substitua as duas colheres (de sopa) por aproximadamente a mesma quantidade de leite desnatado ou um pouco mais se ficar muito firme.

Rendimento: 6 pessoas