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Fila longa e demorada na saúde de Curitiba

Pessoas que dependem do serviço de urgência prestado pelas oito unidades do Centro Municipal de Urgências Médicas (Cmum), da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em Curitiba, afirmam que é difícil conseguir atendimento em menos de duas horas.

Usuários reclamam que entre fazer o cadastro para atendimento e o término da consulta passam, em média, três horas. Quando existe a necessidade de exames de sangue, por exemplo, a indignação é maior.

Pacientes contam que nesse caso é preciso esperar no mínimo seis horas para que a amostra vá até um laboratório e volte para a unidade. De acordo com um funcionário da prefeitura de Curitiba, que prefere não se identificar, a demora é constante.

“Estou acompanhando um colega que esperou uma hora apenas para fazer o cadastro. Agora estamos há duas horas aguardando atendimento. Numa situação dessa a pessoa é obrigada a procurar um atendimento particular. Perdi de três a quatro horas apenas aguardando. É perigoso a pessoa morrer e não receber atendimento”, conta. “O sistema não vale nada. No caso de exames, por exemplo, chegamos a esperar 12 horas sentados numa cadeira de plástico. A infraestrutura também está com problemas, pois vemos banheiros destruídos e recipientes sem álcool gel”, relata o autônomo Anderson de Oliveira.

A jovem Andressa da Silva, que mora no Campo Comprido, concorda com a demora. “Vim fazer uma consulta, mas estão demorando bastante para me atender”.

O diretor do Sistema de Urgências e Emergências da SMS, Matheos Chomatas, acredita que existe uma dificuldade de entendimento por parte dos usuários do sistema.

“Hoje o cidadão que chega andando ao Cmum passa pela recepção. Caso ele não tenha cadastro o mesmo é feito. Depois disso ele aguarda avaliação da equipe de enfermagem. O congestionamento acontece porque as pessoas normalmente deixam de ir, em princípio, nas unidades básicas de saúde, procurando assim diretamente a unidade 24 horas”, explica. Segundo a SMS, além dos oito centros em Curitiba, existem outras 108 unidades da rede básica/saúde da família espalhadas pela cidade.

Após passar pelo cadastro e pela avaliação, Chomatas conta que os médicos selecionam o atendimento para aqueles que estão com maior gravidade. “Ainda estamos trabalhando com o sistema HumanizaSUS, do Ministério da Saúde. Esse programa consiste na classificação de acordo com a prioridade e não tanto com o prazo de atendimento”, ressalta Chomatas, explicando ainda a instalação da seleção por cores (Triagem de Manchester), que deverá entrar em funcionamento em Curitiba até setembro de 2011.

Melhoria

Sobre os exames, o diretor lembra que a demora acontece pela necessidade de encaminhar o material para outros lugares. “Assim mesmo, o paciente consegue exame no mesmo dia, diferentemente de hospitais particulares, onde é preciso agendar o exame para outra data”, diz.

Para reduzir esse tempo de espera, Chomatas adianta que no próximo ano seis centros 24 horas terão equipamentos de raio-x. “Só não teremos no Pinheirinho e no Campo Comprido, onde existem algumas dificuldades (reforma e problemas no terreno, respectivamente)”, diz.

Além disso, a SMS está estudando a possibilidade de instalação de máquinas que processam exames mais comuns na cidade. “Até abril de 2011 pretendemos colocar esses equipamentos em todas as unidades”, garante.

Pacientes de outras cidades congestionam sistema

Outro ponto citado por Matheos Chomatas, diretor do Sistema de Urgências e Emergências da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), é a grande procura por parte dos usuários moradores da Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Segundo ele, no Centro Municipal de Urgências Médicas (Cmum) do bairro Boa Vista, por exemplo, 55% das pessoas atendidas são provenientes das c,idades vizinhas à capital. Nas outras sete unidades o fluxo de pessoas da RMC baixa para 35%. Essa grande procura aumenta o tempo de espera nos centros.

“Não consegui atendimento em Campo Largo, por isso vim para cá (Cmum do Campo Comprido) para tentar uma consulta. Assim mesmo está demorando muito. Já estou há duas horas esperando para ser atendida”, reclama a usuária Luzia Maria Rocha.

No Cmum do Campo Comprido o tempo de espera era de duas horas, segundo administração da unidade. “Tive que trazer minha esposa para Curitiba porque ela não estava nada bem. Espero que aqui de certo. Não tenho mais como levar ela de um lado para o outro”, conta Aparecido da Silva, morador de Colombo, na RMC.

Pessoas que passam diariamente pela unidade do Boa Vista contam que é comum ver ambulâncias de outros municípios deixando pacientes no Cmum. “Vejo isso praticamente todos os dias. Parece que preferem passar o paciente para frente a tratar”, ressalta o vendedor Ivonildo Pinheiro.

“Os postos 24 horas recebem pessoas de todos os lugares. Se não tem atendimento nas cidades de origem eles procuram em outros municípios”, afirmou um funcionário que não quis se identificar.

Segundo Chomatas, a carência da oferta de serviços de saúde nessas cidades aumenta a demanda nos centros 24 horas. “Registramos um aumento na procura, pois nos nossos centros os usuários conseguem consultas, remédios, exames e garantia de internamento”, explica.

O diretor conta que as regras internas da prefeitura não permitem que os médicos ou enfermeiros neguem atendimento às pessoas que procuram os centros da rede municipal. “Temos uma política de inclusão. Por isso atendemos a todos indiferente de onde os pacientes estejam vindo. Não existe omissão de socorro”, ressalta.

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