O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticou a indicação técnica do Comitê de Política Monetária (Copom) de o Banco Central manter em alta a trajetória da taxa Básica de juros (Selic) como forma de garantir a obtenção da meta inflacionária. Com essa atitude, diz a nota divulgada ontem (23) pela Fiesp, estão "chutando o pau da barraca do crescimento".

Ao destacar a essência da ata do Copom, "crescimento adicional de juros e sua manutenção por longo período", Skaf afirmou que isso causou surpresa no meio empresarial e destacou que por trás dessa sinalização existe uma intenção velada de recessão à frente. Para ele , "o Copom está reconhecendo o que todos já sabiam, ou seja, sua baixa capacidade de atuação em preços administrados e de commodities, quer submeter os preços livres à forte pressão via redução da atividade econômica e valorização cambial, a fim de compor a ambiciosa e irreal meta de inflação futura".

Com isso, continuou Skaf , o Copom "quer descaracterizar a evidente atenuação da produção industrial introduzindo o inovador conceito de análise por dia útil, que se agrega ao de sazonalidade, pelo qual um mesmo mês pode ter, ano a ano, distintos valores". Ainda na nota, salienta que o Copom desconhece a dinâmica do setor industrial e que por esse motivo "mais uma vez, seus integrantes correm para o abraço do setor financeiro, que há de louvar a prudência, e não escutam as vaias dos setores produtivos e dos trabalhadores".