FHC: barreiras comerciais não impedirão aumento das exportações

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje, em Sintra, que as barreiras européias e norte-americanas não são suficientes para impedir o aumento das exportações brasileiras. As declarações foram dadas na entrevista coletiva junto com o primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso. ?Na verdade a produtividade agrícola no Brasil, e também na Argentina, tem crescido de tal forma que, apesar de todos os entraves, nós temos aumentado as exportações?, disse o presidente. Ele ressaltou que, com o aumento da produtividade brasileira, torna-se mais caro financiar a política de subsídios, especialmente depois do alargamento da União Européia para os países da Europa Oriental.

Fernando Henrique acredita que, apesar das dificuldades, o Brasil vai acabar por ultrapassar as barreiras comerciais: ?eu continuo achando que nós devemos atuar como sempre atuamos. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura e, como a pedra não é tão dura assim, nós estamos furando antes da mudança da política agrícola comum?.

Segundo o primeiro-ministro português, a modificação dos subsídios europeus só deve ocorrer em 2013, mesmo diminuindo seu crescimento a partir de 2006. ?No último conselho europeu houve uma decisão de congelar a política agrícola comum aos níveis de 2006 até 2013. Nesse período, o aumento das verbas será muito pequeno, da ordem de 1%.?  Durão Barroso reconheceu que os subsídios agrícolas prejudicam as relações com outros blocos econômicos, mas disse que Portugal não tem grande influência na sua modificação. ?Infelizmente não é Portugal que determina a política agrícola da União Européia. Somos uma voz entre 15. A verdade é que é difícil modificar a política atual, que estava desenhada antes de Portugal entrar na União Européia.?

Segundo o primeiro-ministro português, a questão dos subsídios agrícolas não foi abordada diretamente na reunião entre ele e Fernando Henrique, mas ficou para ser discutida na reunião entre o ministro português da Economia, Carlos Tavares, e o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral.

Homenagens – O tempo nublado com uma fina neblina atrapalhou e a entrada triunfal do presidente Fernando Henrique Cardoso em uma paramentada carruagem no Palácio da Vila, na histórica cidade de Portugal, teve que ser cancelada. Tratava-se de mais uma homenagem das autoridades portuguesas a Fernando Henrique em sua última visita ao país amigo na condição de chefe de Estado.

A reunião plenária da VI Cimeira Brasil-Portugal, um encontro das cúpulas dos dois países para afinar as relações comerciais e diplomáticas, aconteceria em Lisboa, mas como Fernando Henrique manifestara anteriormente sua admiração por Sintra, o ato foi transferido para lá. Com direito a uma passagem por todos os palácios históricos da cidade.

O primeiro-ministro português, Durão Barroso, recebeu Fernando Henrique para seu primeiro compromisso oficial em Portugal no Palácio da Pena, uma construção iniciada em 1839 que abrigou no passado reis e rainhas do antigo império português. A reunião de trabalho foi em outro monumento histórico, o Palácio de Seteais, que foi residência de cônsules holandeses no passado e hoje abriga um hotel.

Para o almoço em homenagem a Fernando Henrique, o governo português reservou o história Palácio da Vila, uma construção do Século VIII, que serviu de morada para o Rei Afonso. Mesmo depois de deposto do poder, nos idos de 1.600, o rei Afonso foi mantido preso até o resto da vida em um dos menores ambientes do Palácio.

Hoje à noite, o presidente Fernando Henrique foi recebido para um jantar de honra no Palácio D?Ajuda, um monumento histórico utilizado pelo governo português para oferecer recepções a autoridades estrangeiras. Amanhã, a agenda de Fernando Henrique será tomada por homenagens do setor empresarial de Portugal.

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