O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso confidenciou a amigos, no último domingo, que a candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para a presidência da República seria a melhor opção para o PSDB. Na avaliação de FHC, a candidatura de Alckmin implicaria em menos riscos em caso de derrota. Já com a candidatura do prefeito de São Paulo, José Serra, o ex-presidente avalia que, embora as chances sejam boas, seria um jogo de tudo ou nada. Em caso de um fracasso na sucessão, o partido ficaria sem nada em São Paulo, perdendo o que tem, a prefeitura de São Paulo, e o que não tem, a presidência da República.

Em suas conversas informais, FHC faz questão de ressalvar que se Serra resolver correr todos os riscos terá o seu apoio integral. Ele acha que seria uma postulação legítima e tem, inclusive, trabalhado para aparar eventuais arestas entre Serra e outros da executiva. O ex-presidente está convencido de que somente unido o tucanato poderá ganhar a eleição.

Durante o ano passado, nos momentos em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virtual candidato à reeleição pelo PT era apontado como imbatível, FHC trabalhava com o cenário da candidatura de Alckmin. Ele mudou com a queda de Lula, passando a considerar Serra um candidato mais consistente, depois da crise do mensalão.

Mas com a blindagem feita em torno de Lula e com sua posterior recuperação, FHC voltou a achar mais prudente o lançamento de Alckmin. Para ele, a conta é simples: Lula forte, Alckmin seria o candidato; Lula em queda, Serra torna-se o preferido.