A Câmara Municipal de Maringá aprovou, nesta terça-feira (14), um projeto de lei que cria um feriado extra para comemorar o aniversário da cidade no dia 11 de maio, uma segunda-feira — a cidade foi fundada no dia 10 de maio de 1947. Contrárias à medida, a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) e o Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Maringá e Região (Sivamar) apontam prejuízos econômicos e operacionais com a mudança.
De acordo com estimativa do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), a alteração pode gerar perdas de aproximadamente R$ 63 milhões, principalmente pela paralisação de atividades em um dia útil.
Aprovação em duas votações
A proposta do feriado extra é de autoria do vereador William Gentil (PP). O Projeto de Lei nº 18.141/2026 altera a redação da Lei nº 5.719/2002, responsável por oficializar o feriado municipal.
Atualmente, a legislação prevê que o aniversário de Maringá seja comemorado na segunda segunda-feira do mês de maio, exceto quando o dia 10 cai em um domingo — situação em que a celebração permanece na data original. Neste ano, o dia 10 de maio coincide com um domingo e com o Dia das Mães.
A matéria foi aprovada nesta terça-feira, em segunda discussão, por 11 votos a nove. Na primeira votação, no último dia 9, o placar foi de 13 favoráveis e três contrários.
Autor da proposta, o vereador William Gentil afirma que a medida não cria um novo feriado, mas garante que a data seja efetivamente usufruída pela população. Neste ano, a coincidência do aniversário da cidade com o Dia das Mães, segundo ele, esvaziaria o sentido da data. “O feriado existe na lei, mas em situações como essa não chega à vida das pessoas”, argumenta.
Segundo o autor, a proposta busca corrigir essa distorção, permitindo o descanso e a participação nas comemorações, além de favorecer o planejamento das famílias e da cidade.
Impactos nos serviços e na saúde
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), José Carlos Barbieri, relata que a entidade recebeu manifestações contrárias de empresários e instituições de diferentes áreas e alerta para os impactos da mudança.
“Entre os setores prejudicados estão a indústria, construção civil, serviços — como advocacia e saúde, com consultas e cirurgias agendadas — além do comércio de rua. Para as atividades que funcionam no feriado, haverá impacto com horas extras na segunda-feira. Trabalhadores com remuneração variável, como comissões e participação nos resultados, também podem ser prejudicados”, destaca.
A advogada Lisley Maria Messias da Silva, do Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Maringá e Região (Sivamar), diz que a entidade não entende a retomada da discussão e lembra que o tema já foi regulamentado pela lei de 2002.
“Quando cai no domingo, não há prejuízo ao comércio. A solicitação neste ano é extremamente prejudicial. O comércio não concorda com essa mudança e já sofreu demais com esse tipo de situação”, acrescenta.
O vereador Daniel Malvezzi (Novo) aponta preocupação com o novo feriado, os impactos econômicos e o excesso de feriados ao longo do ano. “O setor produtivo já enfrenta dificuldades, e a criação de mais um feriado impacta diretamente o comércio”, pontua.
Ele também critica a redação do projeto, por considerar o texto amplo. “Do jeito que está, fica algo muito aberto, que pode valer para todas as segundas-feiras do mês de maio até que a lei seja alterada. Isso me parece pouco preciso”, avalia. Como alternativa, sugere ponto facultativo pelo Executivo.
Como é calculado o prejuízo
A estimativa de perdas de R$ 63 milhões é elaborada pelo Codem com base no Produto Interno Bruto (PIB) de Maringá — que é o total de produtos e serviços produzidos na cidade — estimado em R$ 28,6 bilhões em 2024, o que representa uma produção diária de cerca de R$ 114,4 milhões.
O cálculo considera as particularidades dos setores, exclui serviços essenciais, como saúde e segurança, e mantém parcialmente atividades que funcionam no feriado, como shoppings e supermercados, além de receitas de lazer. De acordo com o levantamento, comércio e serviços concentram os maiores impactos, seguidos pela indústria, administração pública e agropecuária.
Show de aniversário da cidade será realizado na segunda-feira
A Prefeitura de Maringá já contratou o show de aniversário da cidade para a segunda-feira, dia 11, na Expoingá. O desfile comemorativo municipal também deve ocorrer nesta data. Tradicionalmente, na data oficial, a Sociedade Rural de Maringá (SRM) promove o dia de portões abertos no parque de exposições.
A reportagem da Tribuna do Paraná questionou a Prefeitura de Maringá sobre a posição em relação ao projeto, uma vez que o show já foi contratado para a segunda-feira. Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Maringá informou que somente após a conclusão desse processo é que haverá análise por parte da administração municipal.
Como votaram os vereadores
Na primeira votação, votaram a favor os vereadores Akemi Nishimori (PSD), Angelo Salgueiro (Podemos), Bravin Junior (PP), Flávio Mantovani (PSD), Giselli Bianchini (PL), Guilherme Machado (PL), Italo Maroneze (PDT), Luiz Neto (Agir), Maninho (Republicanos), Mário Hossokawa (PP), Pastor Sandro (União), Uilian da Farmácia (União) e o autor da proposta, William Gentil (PP).
Na segunda votação, Akemi Nishimori (PSD), Angelo Salgueiro (Podemos), Flávio Mantovani (PSD), Giselli Bianchini (PL) e Luiz Neto (Agir) mudaram o voto e passaram a ser contrários.
O vereador Mário Verri (PT) não participou da primeira votação, mas afirma que teria votado contra nas duas. Os vereadores Professor Pacífico (Novo), Daniel Malvezzi (Novo) e Diogo Altamir da Lotérica (PSDB) foram contrários nas duas votações.
Não estiveram presentes na segunda votação a Professora Ana Lúcia (PDT) e o vereador Sidnei Telles (Podemos).



