O feriado nacional de quarta-feira reduzirá as atividades do Congresso nesta semana. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), na tentativa de impor um novo ritmo aos trabalhos, prometeu cortar o salário dos deputados que faltarem às sessões marcadas para hoje e amanhã, quando pretende retomar a votação das medidas provisórias que estão trancando a pauta do plenário. A primeira delas é a chamada MP do Bem, cuja votação foi interrompida na quinta-feira passada sem acordo e depois de uma briga em plenário entre os deputados Inocêncio Oliveira (PL-PE) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara. Apesar das negociações, a votação da MP 258, a que cria a chamada Super Receita, deverá ficar para a próxima semana.
Amanhã, a Mesa da Câmara vai se reunir para tratar do futuro dos 13 deputados supostamente envolvidos no esquema de mensalão. Essa primeira reunião da Mesa comandada por Aldo está sendo cercada de expectativa dos demais integrantes do colegiado, que querem saber como o presidente irá tratar o caso dos deputados. Os sete integrantes da Mesa vão decidir se acatam ou não o parecer da comissão de sindicância que recomenda o envio ao Conselho de Ética do pedido de abertura do processo contra os deputados.
O quarto secretário da Mesa, deputado João Caldas (PL-AL), disse que poderá pedir o prazo regimental de duas sessões para estudar os processos. Caso isso ocorra, a decisão da Mesa será adiada em uma semana. O eventual atraso dá fôlego aos 13 deputados acusados para decidir se vão renunciar aos seus mandatos para fugir das penas de uma eventual cassação. Assim que o processo por falta de decoro é aberto no conselho, a renúncia do deputado não interrompe a aplicação da pena de perda de mandato, ou seja, a proibição do parlamentar se candidatar durante os oito anos seguintes a contar do fim do mandato que exerce, o que significa até 2015.
A comissão de sindicância recomendou a abertura de processos contra os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Professor Luizinho (PT-SP), Paulo Rocha (PT-PA), Josias Gomes (PT-BA), José Mentor (PT-SP), João Magno (PT-MG), Pedro Corrêa (PP-PE), José Janene (PP-PR), Vadão Gomes (PP-SP), José Borba (PMDB-PR), Pedro Henry (PP-MT), Roberto Brant (PFL-MG) e Wanderval Santos (PL-RJ). O relatório também considerou que os processos contra os deputados José Dirceu (PT-SP), Romeu Queiroz (PTB-MG) e Sandro Mabel (PL-GO) não são necessários porque eles já estão sendo processados pelo conselho.
Enquanto o conselho se prepara para receber os novos pedidos de cassação, o processo contra Mabel segue em sua fase de instrução. O conselho realiza, amanhã, a acareação entre Mabel e a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO). A deputada sustenta que, em fevereiro de 2004, foi procurada por Mabel que lhe propôs mudar de partido em troca de R$ 1 milhão mais uma mesada de R$ 30 mil. O deputado confirma que convidou a deputada para se transferir para o PL, mas nega a oferta de vantagens. Raquel Teixeira está tentando, desde a semana passada, que a acareação seja feita em sessão aberta e pública, com a presença da imprensa, ao contrário do que ficou decidido pelo presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP).