Brasília ? O aumento da intensidade e da freqüência dos eventos climáticos extremos como inundações, furacões, tempestades e secas, para o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas para a América Latina da organização ambientalista WWF, Giulio Volpi, é conseqüência, principalmente, das emissões de gases ? produzidas pela queima dos combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, e nas queimadas que afetam a Amazônia.

Em entrevista à Rádio Nacional, Volpi disse que o Brasil é o quinto maior emissor de gases de efeito estufa. "70% da energia nova vendida pelo governo vai ser produzida por termoelétricas. É uma energia muito poluente e poderá reduzir o potencial do Brasil de ter uma matriz energética limpa".

O coordenador contou que, nesse sentido, o Brasil tem ido contra as diretrizes do Protocolo de Quioto, propõe a redução das emissões poluentes, "já que o aquecimento global é uma realidade de agora e os impactos vão ser maiores no futuro".

De acordo com Giulio Volpi, todos os países industrializados têm que reduzir as emissões, pois não têm como continuar com o uso de combustíveis fósseis e poluentes. "O Brasil em uma responsabilidade fundamental, porque apresenta 3% das emissões globais e mais de 80% dessas emissões são causadas pela derrubada da Amazônia".

Ele informou que a indústria da soja e os madeireiros ilegais têm devastado a floresta Amazônica, à medida que jogam na atmosfera uma quantidade muito grande de carbono, o que faz aumentar o aquecimento global e os impactos no país.

Volpi sugere, por fim, uma política mais firme do governo federal para aumentar a fiscalização e reduzir os incentivos econômicos para o desmatamento.