O volume de vendas nos pontos de comércio cresceu, assim como a produção industrial. Todavia, a renda dos trabalhadores não acompanhou esse desempenho otimista. O cenário visualizado nesse breve comentário foi o primeiro semestre do ano, que registra queda de 1% do salário industrial entre abril e junho, segundo o IBGE.

Assim, os analistas de mercado intuem que o crescimento da economia em 2005 estará ancorado na expansão do crédito e exportações, ao passo que haverá espaços comprimidos para o aumento da renda média dos trabalhadores.

Para o economista Cláudio Dedecca, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o PIB deverá crescer de 3% a 3,5% até o final do ano, mas com esse ritmo é improvável gerar aumento da renda proveniente do emprego com carteira assinada.

Por sua vez, o economista Antônio Barros de Castro, do BNDES, relata que o setor agrícola não terá este ano o mesmo desempenho de 2004, não permitindo o crescimento dos números da economia. Barros acentua que somente a queda das taxas de juros poderá injetar vigorosa dose de ânimo no prognóstico de expansão para 2006.

Enquanto isso ocorre no Brasil, as economias do Chile, México e Venezuela devem superar, este ano, a casa dos 6% de crescimento do Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas produzidas num país.

O recrudescimento da crise, já se disse, é fator negativo para o desempenho da produção industrial, vendas do comércio, emprego e renda, quando se procura investigar como será o segundo semestre. O consumidor foi contagiado pelo clima de instabilidade e está inseguro, e o quadro está marcado por uma perspectiva pessimista. O setor do comércio varejista prevê aumentar as vendas em apenas 2% em relação ao ano passado, daí a estimativa do Natal mais fraco dos últimos anos.

Para o IBGE, o desemprego medido em junho refletiu o desaquecimento industrial de janeiro a abril, com quedas seguidas da produção. Mesmo com o crescimento sazonal de maio e junho, a instituição ainda não dispõe de dados numéricos sobre o crescimento do emprego, mas pode adiantar que a renda dos trabalhadores caiu.

A economia tem resistido à crise política, mas, se o dique arrebentar, a saída para evitar o caos seria o governo aumentar a taxa de juros. Para muitos isso é improvável, face à boa posição do Brasil no mercado externo. Outros acham que a hora é de trabalhar para o aumento do PIB, a melhor forma de ultrapassar a borrasca.