Fãs do U2 chegam a esperar 12h para comprar ingressos

A segunda turnê do U2 pelo Brasil não poderia ter nome mais adequado: "Vertigo" (vertigem, em inglês). Antes de se empolgar com as músicas do quarteto irlandês, em 20 de fevereiro no Estádio do Morumbi, milhares de fãs que se aglomeraram hoje (16) nos pontos-de-venda de ingressos enfrentaram a falta de organização dos produtores e a malandragem de quem furou a fila. Para conseguir a entrada foi preciso esperar 12 horas ou mais, sob sol forte, num caos desnecessário e jamais visto em outros grandes espetáculos no Brasil. Nem na primeira passagem do U2, em 1998.

Nos 12 pontos-de-venda – 10 lojas do Pão de Açúcar em São Paulo e 2 no Rio -, o que se viu foi total falta de organização. As filas formadas desde o fim de semana não fluíam quando os guichês abriram, às 10 horas. Em locais como o Shopping Villa-Lobos e a loja da Avenida Brigadeiro Luís Antônio nos Jardins, milhares de fãs esperaram horas para ver apenas um caixa funcionando.

A dentista Silvia Rigote, de 25 anos, era a primeiríssima da fila na Brigadeiro. Chegou no sábado de manhã. "Já vi oito shows dessa turnê na Califórnia", disse. Todos ao lado do namorado, americano, que conheceu num chat sobre o U2 e virá para a apresentação no Brasil.

Mas Silvia não foi a primeira a comprar ingresso. A engenheira Luciana Azevedo Santana, de 31 anos e grávida de 7 meses, teve esse privilégio. Ela encabeçava a fila preferencial, organizada às pressas. Às provocações dos demais, disse: "Tive sorte, ué. Não achei que ia ficar grávida no show do U2."

Salvo exceções como a de Luciana, os fãs se irritaram com a esperteza de quem deturpava o direito a atendimento preferencial. No Pão de Açúcar da Avenida Ricardo Jafet, zona sul, perna quebrada ou par de muletas significavam deficiência física.

Pela quantidade de mães e avós convocadas para comprar ingressos no caixa preferencial, parecia se tratar de um show de Roberto Carlos. "Minha filha está na outra fila, mas, se ela não conseguir, vou comprar aqui", admitiu a dona de casa Lourdes Oishi, de 54 anos, diante da loja da Brigadeiro.

Houve quem cobrasse R$ 170,00 para guardar lugar na fila. Outros levaram crianças de colo para ter direito ao atendimento preferencial, debaixo do sol forte, o que provocou cenas de revolta. A reportagem ouvia uma fã falando na Ricardo Jafet sobre esses abusos quando uma mulher, com a filha no colo, quis dar sua versão. Não deu tempo: as duas começaram a gritar e a mãe da menina jogou um copo de suco na outra.

No Villa-Lobos, os portões do Pão de Açúcar foram fechados às 11h30 e apenas quem estava dentro (muitos deles tinham furado a fila) ficou. Os barrados só puderam reclamar, aos berros, ou oferecer dinheiro para os de dentro comprarem entradas. Diante da pressão do público, funcionários prometeram no fim da tarde distribuir mil senhas, cada um dando direito a um ingresso – a produção tinha anunciado que cada pessoa poderia comprar até dez ingressos.

Também faltou informação. A loja da Avenida Washington Luís, zona sul, não tinha sido anunciada como ponto-de-venda até ontem (15). "Um amigo mora por aqui e me avisou", disse a estudante Fabiana Falcoski.

As filas não eram tão grandes, mas a demora, sim. "O sistema não funcionava. Venderam quatro entradas em duas horas", disse a publicitária Karen Braune. Coube a um fã, Diego Rodrigues, de 23 anos, organizar a fila. "Na bagunça, esqueci de comprar três ingressos." (Colaborou: Patrícia Campos Mello.

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