Uma criança de um ano e meio vai receber nesta quinta-feira (21) o fígado doado pela família da pequena Milena, que morreu ontem, depois de tomar anestesia num tratamento dentário, em São Paulo.

A polícia vai abrir inquérito para apurar responsabilidades sobre o caso. Já o Conselho Regional de Odontologia acusa o fabricante do anestésico de não ter avisado os dentistas que o medicamento estava com o uso suspenso.

No hospital, em São Paulo, o corpo da pequena Milena, de 3 anos, aguarda liberação. Ela passou quatro dias em coma depois de receber anestesia durante a extração de um dente em uma clínica odontológica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

A família acusa a dentista de não estar preparada para o atendimento de emergência quando a menina passou mal. Na segunda-feira, o Conselho Regional de Odontologia fiscalizou o consultório. A sala estava interditada, mas a dentista entregou documentos que comprovam que havia um kit de emergência com remédios e oxigênio. A advogada da clínica também disse que a dentista não sabia da suspensão do uso do anestésico.

O anestésico usado, Lidostesin 3%, havia tido a distribuição, o comércio e o uso suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No site da Anvisa, a justificativa: havia registros em quatro Estados de pacientes com náusea, dor de cabeça, tontura e vômito.

A suspensão foi publicada no Diário Oficial da União no dia 27 de novembro. A Anvisa diz que notificou o fabricante do anestésico imediatamente. As Secretarias Estaduais de Saúde também foram comunicadas. Em São Paulo, as vigilâncias sanitárias municipais foram avisadas. A vigilância de São Bernardo do Campo afirma ter informado 2 mil distribuidores de medicamentos da cidade.

Mesmo assim, 18 dias depois o anestésico ainda foi usado e pode ter provocado a morte da criança. O Conselho Regional de Odontologia abriu uma sindicância para apurar o caso mas afirma que era do fabricante a obrigação de avisar os dentistas.