O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do estado, deputado Geraldo Moreira (PSB), que está na Casa de Custódia de Banfica tentando pôr fim à rebelião que já chega a quase 32 horas, disse que os detentos estão sem liderança para negociar a libertação dos 23 reféns. A maioria deles é de policiais militares reformados, que trabalham na cooperativa de segurança que presta serviços ao Departamento do Sistema Penitenciário ( Desipe).

Os presos rebelados estão bem armados, já que tomaram as pistolas dos militares. Alguns deles têm até fuzis automáticos.

Numa fuga ontem de manhã, 17 detentos conseguiram escapar por baixo do portão principal da unidade, inaugurada no início do mês passado. Para a fuga, os internos contaram com auxílio de vários homens armados de fuzis, que estavam do lado de fora e deram tiros nos policiais militares que ocupavam as guaritas da Casa de Custódia. Três deles foram recapturados, pouco depois da fuga, quando subiam o morro da Mangueira.

O fornecimento de água e luz foi cortado com a finalidade de ganhar os amotinados pelo cansaço. A Casa de Custódia de Benfica tem capacidade para abrigar 1.310 presos, mas atualmente tem cerca de 900 homens. No mesmo prédio de cinco andares, funciona a prisão especial do Ponto Zero, onde ficam os presos que têm curso superior, como é o caso do ex-deputado federal Sérgio Naya e os fiscais envolvidos no escândalo do Propinoduto, que estão com prisão preventiva decretada pela Justiça. Essa ala da carceragem fica isolada da área destinada aos presos comuns.

Parentes dos presos amotinados esperam desde ontem por notícias sobre o fim da rebelião. Eles receberam garantias do Comandante de Policiamento da Capital da Polícia Militar, coronel Fernando Belo, de que a integridade física dos internos está assegurada.