Um quinto da população do planeta não possui acesso à água potável e 40% não têm condições sanitárias básicas. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a situação é resultado de má gestão de recursos hídricos, corrupção, falta de instituições apropriadas, inércia burocrática e carência de investimentos em infra-estruturas física e pessoal. O diagnóstico consta no segundo Relatório das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, que será apresentado oficialmente nesta quarta-feira (22) no México, durante o 4° Fórum Mundial da Água.

O fórum reúne, desde o último dia 16, cerca de 13 mil participantes de mais de 120 países em torno de um tema central: "Ações locais por um desafio global". Nos dois últimos dias do encontro – hoje e amanhã – ministros de Meio Ambiente do mundo inteiro reúnem-se para assegurar os compromissos firmados entre todos os países, validar os projetos e ações que devem ser implantados e fixar prazo para essas ações.

Um dos focos é assegurar que será possível reduzir pela metade o número de pessoas sem água potável até 2015 ? um dos dez Objetivos do Milênio. "Ainda estamos distantes do que foi pactuado pelas metas do milênio. Há avanços importantes, mas ainda precisamos avançar muito se quisermos cumprir a meta", destaca Celso Schenkel, coordenador de Ciência e Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco)
no Brasil.

Segundo Antonio Félix Domingues, superintendente de Conservação de Água e Solo da Agência Nacional de Águas, o fórum é uma oportunidade para "troca de experiências e informações sobre a solução de problemas relacionados à água, como despoluição, conservação de solo, falta de água, inundações". Domingues diz que o grande debate, no México, se dá entre aqueles que consideram a água um bem ambiental, intocável, e os que acreditam no uso da água para o desenvolvimento. "Não podemos fazer o desenvolvimento a qualquer custo, mas também não podemos ficar parados. É preciso utilizar as águas para o nosso crescimento e garantir água com qualidade para as próximas gerações. De que maneira fazer isso é o que estamos debatendo", destaca.

O Fórum da Água é realizado a cada três anos pelo Conselho Mundial da Água, com o apoio da Unesco. Os anteriores ocorreram no Marrocos (1997), Holanda (2000) e Japão (2003).