Porto Velho, 14 (AE) – O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) entregou cestas básicas a fazendeiros e microempresários que montaram a Associação dos Acampados do Igarapé Preto, para invadir fazendas no sul de Rondônia e norte do Mato Grosso. A entidade organizou a invasão da fazenda Pontal do Cabixi, em Comodoro (MT), há cerca de um ano.

Nela, os supostos sem-terra usaram trator para arar a terra e avião para semear, mas acabaram sendo retirados há dois meses por determinação da Justiça. Os invasores alegaram que não tinham onde ficar, por isso acamparam em Cabixi (RO), a 820 quilômetros de Porto Velho, na fronteira com o Mato Grosso.

No local, há duas semanas, o funcionário da fazenda Noroeste, Paulo Brizola Nunes, de 51 anos, foi assassinado a pauladas e machadadas. Entre os acusados estão dois membros da Associação, Ailton Izidoro Goes e Edson Alves de Melo, conhecido como "pai da carabina". O primeiro está preso.

Os advogados Sandro Salowski Martins, e Luis Antonio Rocha, que representam a fazenda Pontal do Cabixi, apresentaram ao juiz Francisco Rogério Barros, do Mato Grosso, duas listas com timbre do Fome Zero e da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), mostrando que fazendeiros, comerciantes e funcionários públicos que integram a associação recebem cestas básicas do Incra.

Nas listas, costa como beneficiado o fazendeiro Valdecir Francisco Makowiak, filho do ex-prefeito de Cabixi, Luiz Makowiak. Também receberam cestas básicas do Incra, os irmãos Valmir, Edson e Vilmar Scheffer, que moram e trabalham na fazenda do pai, Ivo Scheffer.

O presidente da Associação, Antenor Bento de Oliveira, que tem casa própria, uma F1000 e uma loja de roupas, reconheceu que há na entidade pessoas que não deveriam ter recebido as cestas básicas. "Mas, a responsabilidade da entrega das cestas não é minha. O Incra deveria ter feito uma triagem dos beneficiados", disse.

O empreendedor social do Incra em Colorado do Oeste (RO) a 850 quilômetros de Porto Velho, Eliseu Ferreira Lima, admitiu que entrevistou os falsos sem-terra e enviou a lista para a Superintendência em Rondônia. "É comum que as pessoas mintam na entrevista. Mas no caso dos irmãos beneficiados, eles não têm terra. Quem tem é o pai", afirmou.

A promotora de Justiça Yara Travalon disse que está levantando informações sobre a legalidade da Associação e sobre as atividades de seus integrantes.