O ministro das Comunicações, Hélio Costa, atribuiu hoje o atraso na definição do padrão de televisão digital no Brasil às negociações envolvendo a implantação de uma fábrica de semicondutores no País. "É fundamental para o Brasil dar este passo (a instalação da fábrica), pois nós não podemos ficar na era da moderna tecnologia atrasados", disse na sede do Diretório Estadual do PMDB em Belo Horizonte.
De acordo com o ministro, o governo federal está na fase final de acertar os detalhes da instalação da fábrica. Ele lembrou que hoje, em Brasília, foi realizada uma reunião para iniciar o intercâmbio de tecnologia entre o Japão e o Brasil. O ministro reiterou que não existe vinculação entre a escolha do padrão e a instalação da fábrica. No entanto, o Brasil quer aproveitar o momento dessa definição para sensibilizar os fabricantes que detêm a tecnologia para trazer a fábrica, caso contrário, segundo ele, não há como vender aparelhos de TV no próximo ano.
Costa tem a expectativa de que o governo federal possa realizar transmissões experimentais de televisão digital durante a Copa do Mundo, em São Paulo. No caso da instalação da fábrica, o ministro lembrou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já possui um projeto prevendo investimentos de US$ 500 milhões para construção e montagem de uma fábrica de chips dedicados, que seriam destinados não só na fabricação de aparelhos de TV como em outros eletrodomésticos. "Temos condição de ter o BNDES para bancar o investimento, mas antes temos que acertar os detalhes de transferência de tecnologia", disse.
O ministro declarou que o local de instalação da fábrica, que hoje é disputada pelos Estados do Amazonas e de Minas Gerais, irá depender da contrapartida dos governos estaduais. "Já sabemos que o governo do Amazonas concede 85% de desconto nos impostos para a instalação da fábrica no pólo industrial de Manaus". No caso de Minas Gerais, de acordo com ele, se não houver a contrapartida da redução de impostos, "a chance de vir pra cá é zero".


