Impresso ilegalmente num terminal da Caixa Econômica Federal (CEF), conforme admitiu a própria instituição, o extrato da conta poupança do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, contém uma pista que permite ao banco rastrear rapidamente o responsável pela violação de seu sigilo. O código em questão – H4A00000 – está registrado no canto inferior do extrato, ora sob perícia da Caixa, da Polícia Federal e do Ministério Público.

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Segundo fontes técnicas ouvidas pela Agência Estado, esse código é uma espécie de DNA da impressão do extrato. De posse desse registro, a Caixa tem condições de acessar o sistema interno e descobrir de qual computador foi feita a violação do sigilo do caseiro.

Para isso, explicam os peritos, o banco só precisa buscar os registros de operações internas feitas entre as 20h50min25s e 21h06min12s da última quinta-feira, período em que o extrato foi tirado. O código da operação de impressão vai constar desse banco de dados e mostrar qual foi o terminal utilizado. Segundo os técnicos, esse rastreamento pode ser feito em poucas horas e aparentemente não haveria necessidade do prazo de 15 dias.

Apesar de a Caixa ter informado que o número da matrícula do funcionário foi retirado do extrato, o documento analisado pelo MP e pela PF não aparenta ter sofrido modificações de tamanho ou rasuras. Fontes da área de tecnologia disseram à reportagem que é possível imprimir esse tipo de extrato na Caixa sem que conste o número da matrícula.

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De acordo com técnicos do banco, há grande probabilidade de que o responsável pela violação tenha usado senha de acesso da área de segurança tecnológica ou de segurança bancária. Essa linha de investigação leva em consideração o fato de que esses dois setores mantêm acesso constante às contas da Caixa e costumam ter funcionários trabalhando no horário em que foi tirado o extrato (por volta das 21 horas).

Depósitos

Divulgados no site da revista "Época" na sexta-feira passada, os extratos mostram depósitos que somam R$ 25 mil desde janeiro na conta poupança de Nildo, aberta numa agência da Caixa em Brasília.

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Segundo a versão do caseiro, o dinheiro foi depositado por seu pai, o empresário Eurípedes Soares, dono de linhas de ônibus em Teresina, no Piauí. Nildo explicou que o empresário depositou os recursos para não ter de lhe reconhecer a paternidade.

A versão do caseiro foi confirmada pela mãe dele, Benta Santos. O empresário confirmou ter feito os depósitos, mas não quis admitir publicamente ser pai de Nildo.