Em meio à explosão de preços do álcool no mercado interno, as exportações do combustível cresceram 23% no primeiro bimestre de 2006 na comparação com igual período do ano passado. Números divulgados hoje (8) pelo Ministério da Agricultura mostram que os embarques de álcool somaram 199 mil toneladas (cerca de mil litros) nos dois primeiros meses de 2005 e saltaram para 245 mil toneladas no mesmo período de 2006.

"A demanda externa por açúcar e álcool está aquecida e o Brasil está na entressafra de cana", disse o diretor da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Ricardo Cotta. Nas exportações de álcool também são considerados os embarques do produto para fins industriais. No começo de janeiro o governo tentou um acordo com os usineiros para que o preço do álcool nas usinas não ultrapassasse R$ 1,05 por litro, mas as cotações superaram o previsto.

A receita cambial obtida com as exportações de álcool cresceu 60 9% no primeiro bimestre deste ano para US$ 103 milhões, contra US$ 64 milhões no acumulado de janeiro e fevereiro do ano passado. "O álcool só perdeu, em taxa de crescimento, para a soja em grão e o algodão", explicou Cotta. Apesar do crescimento as exportações de álcool rendem pouco quando comparadas com o açúcar. No primeiro bimestre, os exportadores faturaram US$ 533 milhões com os embarques de açúcar, crescimento de 7,2% na comparação com US$ 497 milhões no acumulado dos dois primeiros meses de 2005.

Os preços médios de exportação nos últimos meses refletiram a demanda aquecida no exterior. Os valores médios, no bimestre, do álcool exportado cresceram 30,7% e do açúcar, 42%. Cotta explicou que o aumento compensou a queda no volume embarcado de açúcar. Em volume, os embarques de açúcar caíram 24,5% no bimestre, para 1,96 milhão de toneladas, contra 2,6 milhões de toneladas em igual período de 2005. Como o açúcar tem peso maior na conta, o faturamento obtido com as exportações conjuntas caiu 21%, de US$ 2,8 bilhões em 2005 para US$ 2,2 bilhões neste ano.

A balança comercial do agronegócio foi de US$ 4,877 bilhões no acumulado dos dois primeiros meses de 2006, acima do valor de US$ 4,595 bilhões em igual período do ano passado. As exportações agrícolas renderam US$ 5,818 bilhões no acumulado de 2006, recorde histórico para o primeiro bimestre do ano e 8,5% acima do valor exportado nos dois primeiros meses de 2005. No acumulado, os gastos com as importações de produtos agrícolas cresceram 22,5% para US$ 940 milhões, compras impulsionadas pelo câmbio.

Nos dois primeiros meses do ano, a receita cambial obtida com as exportações de carnes cresceu 17% para US$ 1,189 bilhão, mesmo com a restrição parcial ou integral imposta por 56 países ao produto brasileiro. Algumas restrições valem desde outubro último, quando foram confirmados os primeiros focos de febre aftosa no rebanho do Mato Grosso do Sul. Posteriormente, mais sete casos da doença foram confirmados no Paraná, elevando o número total para 40.

Para o governo, o faturamento com as exportações de carnes cresceu no bimestre porque o Brasil vende para muitos países e os frigoríficos têm plantas em vários Estados brasileiros, o que permite o remanejamento dos abates como forma de continuar atendendo aos compradores externos. Outros destaques no bimestre foram os setores de papel e celulose, com crescimento de 17% no faturamento; algodão e fibras têxteis, 15,9% e café, com 10,6%.